sexta-feira, 23 de junho de 2017

Crônica foz-iguaçuense


A mais famosa tríplice fronteira é apenas uma das tantas
Curiosidade mesmo é no continente antártico, múltipla fronteira
Só não o é de fato porque no lugar do pólo existe o buraco da Terra oca
Crônica foz-iguaçuense
Capítulo 1
A tríplice e a múltipla fronteiras Minha definição de catarata Os ônibus quase não evoluíram em décadas Vantagens do transporte rodoviário e do aéreo Cachoeira, cascata e catarata Mais uma de Santos Dumont Um elevador panorâmico sem panorama O resto foi programa-de-índio A ponte do Diabo e o ônibus assassino
Tríplice fronteira é muito comum, a da foz do Iguaçu é apenas a mais famosa. A antártica não é bem múltipla fronteira, pois fronteira pontual não é bem fronteira. O que faz recordar o princípio topológico de que pra se pintar um mapa de modo que países fronteiriços nunca tenham a mesma cor não se necessita mais que cinco cores.
No domingo, 30 de junho, fui a Foz do Iguaçu. Experimentei ir em ônibus, pra evitar os rodeios da conexão Guarulhos e ou Cumbica e ou Viracopos. (O que me faz lembrar que do exterior se pode trazer 12 garrafas de vinho mas se for pacote de café, dois, três. Quem manda no Brasil são os bebuns. Deve ser por isso que o aeroporto se chama Viracopos). O ônibus da Eucatur sai no meio da tarde, atravessa a cidade e pára durante uma hora num inóspito estacionamento ao sol cum restaurante no fundo, pra abastecer, etc. Por quê já não chega à rodoviária pronto pra ir só pode ser por receber comissão do restaurante ou é restaurante da empresa. No fim-de-tarde bate sol-a-pino, de modo que os únicos lugares sombreados são no muro da entrada, longe, e dentro do restaurante.
É digno de reflexão o pouco que os ônibus evoluíram em décadas. São praticamente a mesma coisa desde os anos 1970. Exceto o fato de o motorista ficar isolado, os passageiros encima, quase nada notável de evolução além de ar-condicionado. Mas ar-condicionado não é bem evolução, pois joga muito íon positivo ao ar, e nossa tradição em postergar manutenção… Já-viu, né? Dali até a primeira parada na madrugada, ar gelado demais, resultando numa gripe lascada.
As janelas continuam aquela coisa tosca, travada. Piorada, pois antes podia ser aberta. Agora não podemos nos defender dum motorista trapalhão que nos deixa no frízer, nem do ar viciado. As cortinas, as mesmíssimas, tão toscas e travadas quanto as janelas. Não cobrem tudo nem abrem de vez.
Comparando as vantagens dum e doutro meio de transporte: A viagem rodoviária, muito menos segura, é dez vezes mais lenta e pára muito no caminho, além do desconforto das luzes e breques sempre que atravessa uma cidade. Isso é minimizado no norte e centro-oeste, onde as cidades distam muito entre si. Mas no sul e sudeste é uma cidade encostada na outra. Não tem de fazer estripetise porque os países ficaram com fobia de terrorismo, como se terrorista não soubesse que existe viagem rodoviária. Apesar de estarmos cansados de saber que os atentados de 11.09 são uma farsa, a segurança aérea é exagerada e de opereta. O recosto das cadeiras de ônibus são um horror, atacando a coluna, de modo que é melhor dormir com a cadeira levantada mesmo. As empresas de ônibus mentem, dizendo que tal trajeto é direto. Mas estranhamente pra retirar a bagagem do ônibus se tem de apresentar a etiqueta de despacho, pois tem um funcionário entregando e conferindo, mas no aeroporto fica tudo na esteira, a deus-dará, podendo alguém pegar a bagagem alheia. Vá-entender!
As paradas são uma chatice, especialmente pra trocar de veículo. Mas ao menos não se tem de percorrer corredores quilométricos e confusos como nos aeroportos e com risco de não chegar a tempo de embarcar. Na madrugada tem uma parada numa lanchonete em Eldorado, cujo bufê está sempre vazio. Ramão, que já passou lá, contou que disse à dona do estabelecimento que se não quer ganhar dinheiro que passe o negócio a outro.
Foz do Iguaçu é uma cidade comum. É fronteira com o Paraguai mais ninguém toma tereré. O pitoresco é que, cum pouco de exagero, tudo se chama Catarata. É padaria Cataratas, más a diante farmácia Cataratas. Tem até um hospital Cataratas, mas não é pra cirurgia da cataratas, é mais pra pôr o nome da moda mesmo.
O nome praquela afecção ocular vem da Grécia antiga e tem tudo a ver com o acidente geográfico. Como quem está com catarata nos olhos vê como se estivesse atrás duma catarata, deram esse nome. Eis minha definição aos três acidentes geográficos similares:
Cachoeira - Queda dágua
Cascata - Cachoeira ou cascata escalonada. Dali a expressão efeito cascata.
Catarata - Cachoeira gigante
Como cheguei na manhã de segunda-feira, 1º de maio, corri agendar um passeio às tais cataratas, pra não desperdiçar o feriado. Além do quê no hotel Mirante o chequim é às 14h em vez do tradicional meio-dia. Como cheguei no meio da manhã não pude entrar, apesar de ter muita vaga no hotel, tanto que a diária era promocional. Felizmente o movimento no feriado foi pequeno. Nas vésperas é que foi o pique, com a cachoeira lotada de turista.
O hotel é grande, barateiro e de bom atendimento. O esquisito é a numeração dos quartos, meio enrolada pra achar o quarto, pois num setor ficam os números pares e noutro os ímpares. Só faltava separar os primos também. O café-da-manhã (prefiro dizer desjejum, pra evitar palavra comprida e composta) é sortido, num salão grande.
Os hóspedes pareciam ser campo-grandenses, porque vá-ter ojeriza assim de responder a bom-dia! Realmente, a humanidade está muito longe de formar uma internete mental.
Não sou muito de ver essas coisas turísticas. Ainda mais cachoeira gigante. É pra ver uma vez. Como os estúpidos espetáculos de rojão no reveião: Viu um viu todos. Preferia tomar banho numa uma cachoeira normal. Mas fazer o quê? Vivemos na era do espetáculo. Pior: Do espetáculo espetacular.
Confesso que nesse ponto sou meio ranzinza desde criança. Não teria estímulo pra viajar se não fossem os livros. Ver paisagem. Sei-lá. É bom mas… Outros estímulos mesmo seriam outros sabores, outras mentalidades, outras sensações.
Então se cheguei cerca de 8:30h e teria de esperar até 14h, nada mau sair às 10h ao passeio. Como ao lado do balcão estavam duas moças vendendo os passeios, foi rápido agendar. O furgão parou no caminho, pruma visita a uma tal casa do Chocolate. Duas portuguesas de Porto, que já estiveram ali, preferiram ficar no carro.
Não era pra menos. Não sei pra quê parar ali. Programa-de-índio. É loja cujos preços são pro perfil de turista que vai a Dubai freqüentemente. Na entrada enormes e decorativas pedras cada uma com etiqueta tipo assim pedra tal, pesando 1500kg, R$80.000,00. Perguntei se está incluído excesso de bagagem. No fundo uma lojinha de chocolate, disse o guia que de Gramado, mas achei muito simplória comparando com o resto da loja. Então não sei por quê o nome casa do Chocolate. Mas achei muita graça ter ali bombom Ferrero Rocher. Não vi gente comprando.
São gozadas essas coisas. Em Campo Grande, ou melhor, Buracópolis, tem um restaurante que se chama Luci doces mas a sobremesa não é seu forte.
Consta que foi Santos Dumont quem lutou pra fazer das cataratas uma atração turística. Tanto que tem uma estátua sua ali cuja inscrição diz que não seria justo que tão deslumbrante vista pertencesse a um particular.
São vários passeios. Optei só o parque das Aves e a catarata. Esse parque é muito parecido com o Buin zôo de Santiago do Chile. A ida às cataratas é nuns ônibus abertos, jardineiras. Muita escadaria. Tem gente que inadvertidamente vai levando carrinho-de-bebê e se depara com as muitas ramificações de longa escadaria.
Tem uma passarela que chega ao meio do caminho à catarata, onde chove lateralmente porque a queda dágua levanta gotículas que são levadas longe, causando permanente chuvisca lateral. Na entrada vendem impermeáveis de plástico aos turistas.
Na margem tem um elevador que se diz panorâmico mas que de panorâmico nada tem, pois só tem uma vista frontal enquanto a catarata está na esquerda. O pessoal precisa consultar no dicionário, pra ver o que significa panorâmico. Tá parecendo os pães integrais de Campo Grande.
Em toda a mata ali abundam os quatis. Há cartazes alertando pra não alimentar os quatis, pois quando vêem comida ficam agressivos, mordem e podem transmitir doença, como a raiva. Tem até um, chocante, mostrando uma mão ferida sangrando. São muito mansos e passeiam em toda parte no meio dos turistas, que não ligam pros avisos e alimentam os bichos, com andar meio ondulante e rabo levantado, igual a gata Borralheira aqui de casa, que ficou grandalhona e tem rabo de esquilo.
No final tem um restaurante, onde um funcionário a todo momento corre batendo uma lata pra os afugentar. Mas é uma tarefa inglória, pois enquanto uns fogem outros aparecem noutro lado. Sugeri usar um apito ultra-sônico, que afugenta cão.
No final da tarde uma leve dor-de-cabeça, como perda de sal mineral, mas na noite o catarro subindo não deixou dúvida que era um resfriado.
Na segunda visitei os sebos de Foz já com o desconforto do resfriado. São três pequenos sebos. Destaque ao sebo Cultural, com muito livro bom e barato. Encontrei um Contos magazine a R$2,00. Infelizmente o Cultural é dos que estragam a capa com adesivo.
Na quarta-feira iria aos sebos de Cidade do Leste. Peguei um táxi pra atravessar a ponte. O taxista contou sobre os horários em que a ponte congestiona. Não imaginei que fosse tão problemático a atravessar. As laterais estão gradeadas. Foi a solução pra acabar com aquelas famosas cenas de muambeiros jogando mercadoria do alto da ponte.
E quem-diz que consegui chegar ao destino? Mesmo com tudo anotado e trajeto desenhado como mapa, é um deus-nos-acuda chegar a um endereço, pois só põem o nome da rua, nada de número. Nada a ver com Assunção. O trânsito é um caos. Os carros andam feito uma boiada, sem sinal de tráfego nem faixa no chão. Dei uma olhada na feira de abasto, uma feira pra-lá de feia, só de fruta, verdura e legume, e fui direto à rodoviária, antecipar a volta, pois o resfriado na verdade era uma gripe. Poderia continuar a aventura com um táxi local, mas não dava pra bater perna com o corpo doendo e a perna bamba, necessitando repouso.
Pra completar o programa-de-índio a ponte ficou bloqueada mais de meia hora por causa duns presos sendo levados escoltados, como soubemos depois. Discutíamos qual seria o motivo do bloqueio. Eu disse que só podia ser algo programado, pois havia repórteres ali com câmera.
Cidade do Leste é só pra quem vai especificamente à casa China, etc., comprar importado. Bater perna na cidade é programa-de-índio.
Então, se fizesse questão de ir aos sebos do lado de lá teria de me hospedar ali perto, porque atravessar aquela ponte do Diabo não tem condição!
Diz que Lula cogitou fazer outra ponte, mas até agora… Ali tem de ter umas três pontes, e olhe-lá!
As façanhas foram: Atravessar a ponte do Diabo e sobreviver ao ônibus assassino.


À coleção Adeene neles!


Carlos Dickens - Benito di Paula

Marco Nanini - Steling Holloway

Roberto Carlos - David Carradine
  
Coleção de cartão-postal de Joanco
 

sábado, 17 de junho de 2017

Xuxá 033, 19.06.1951 - O aleijado



 À coleção Adeene neles!
 
Vladimir Putim e Gregório Rasputim têm adeene quase idêntico, conforme respectivas amostras de pêlo púbico
Vladimir Putín y Gregorio Rasputín tienen adeene casi idéntico, conforme respectivas amuestras de pelo púbico
Não há melhor Rasputim que Putim
No hay mejor Rasputín que Putín
Hilária e maluca tese traduzida por Che Guavira
As agências ianques de espionagem acreditam que o monge louco reencarnou no atual presidente da Rússia.
Las agencias yanquis de espionaje creen que el monje loco reencarnó nel actual presidente de Rusia.
É pura coincidência que Gregório Iefimovich Rasputim, confidente do último czar da Rússia, e Vladimir Putim, atual presidente russo, tenham tais sobrenomes semelhantes?
Não!
¿Es pura coincidencia que Gregorio Iefimovich Rasputín, confidente del último zar de Rusia, y Vladimir Putín, actual presidente ruso, tengan tales apellidos semejantes?
¡No!
Na verdade, muitas agências de espionagem em todo o mundo têm provas suficientes pra concluir que o notório monge louco russo especialista em magia negra encontrou um modo de reencarnar como o poderoso ditador russo atual.
En verdad, muchas agencias de espionaje en todo el mundo tienen pruebas suficientes para concluir que el notorio monje loco ruso especialista en magia negra encontró una manera de reencarnar como el poderoso dictador ruso actual.
Disse um agente da CIA disfarçado, em Moscou, falando num esconderijo:
Analisando a amostra de pêlo púbico retirado de lençóis de Putim, e a de Rasputim, tirada do escroto preservado em fluido, vemos uma correspondência quase exata do adeene. Todos da comunidade de espionagem crêem que o louco cenobita do czar Nicolau encontrou um modo de retornar como Vladimir Putim.
Dijo un agente de la CIA disfrazado, en Moscú, hablando en un escondrijo:
Analizando la amuestra de pelo púbico sacado de sábanas de Putín, y la de Rasputín, sacada del escroto preservado en fluido, vemos una correspondencia casi exacta del adeene. Todos de la comunidad de espionaje creen que el loco cenobita del zar Nicolás encontró una manera de retornar como Vladimir Putín.
O experto em Rússia czarista, Maureen Ritchfield, peagadê, professor da universidade de Dublim, apresentou evidências duma conexão entre os dois homens:
A maioria dos historiadores russos concorda que o verdadeiro nome de Rasputim era também Putim. Rasputim foi um sujeito tão bizarro, que os súditos do czar e a corte da czarina o provocavam constantemente, ou o submetiam a razz (gíria em inglês pra chacota). A palavra razz em Russo é ras. Ao longo do tempo ficou conhecido como Razz Putim, ou em russo, Ras Putim, e finalmente Rasputim. Como se vê, temos uma conexão lógica.
Se Putim é realmente a reencarnação ou um descendente direto de Rasputim, isso explicaria a astúcia, o carisma e a sede de poder de Putim.
El experto en Rusia zarista, Maureen Ritchfield, peachedé, profesor de la universidad de Dublín, presentó evidencias de una conexión entre ambos:
La mayoría de los historiadores ruso concuerda que el verdadero nombre de Rasputín era también Putín. Rasputín fue un tipo tan raro, que los súbditos del zar y la corte de la zarina lo provocaban constantemente, o lo sometían a razz (jerga en inglés para burla). La palabra razz en Ruso es ras. Al largo del tiempo quedó conocido como Razz Putín, o en ruso, Ras Putín, y finalmente Rasputín. Como se ve, tenemos una conexión lógica.
Se Putín es realmente la reencarnación o un descendiente directo de Rasputín, eso explicaría la astucia, el carisma y la sed de poder de Putín.
O agente da CIA apresentou outro cenário assustador que circulou entre as agências de espionagem globais:
Rasputim era um manipulador que tinha o czar Nicolau II e a czarina Alexandra na palma das mãos, digamos fantoches reais. É também culpado de ser o instrumento da queda da monarquia durante a revolução bolchevique de 1917, que levou ao regime russo atual, a Rússia de Putim.
Faz sentido Putim usar Trump da mesma forma, como Rasputim fez ao czar, minando a autoridade e a capacidade de governar, após ganhar a confiança. Fica evidente como é fácil Putim galgar o enorme vácuo de poder de Trump.
Se o chamamos Rasputim ou Putim, temos um feiticeiro muito perigoso, escuro, vivendo entre nós, sem limite nos atos pra dominar o mundo. Trump é apenas um insensato peão no xadrez bem jogado de Putim.
El agente de la CIA presentó otro escenario asustador que circuló entre las agencias de espionaje globales:
Rasputín era un manipulador que tenía el zar Nicolás II y la zarina Alejandra en la palma de las manos, digamos marionetas reales. Es también culpable de ser el instrumento de la caída de la monarquía durante la revolución bolchevique de 1917, que llevó al régimen ruso actual, la Rusia de Putín.
Es lógico Putín usar Trump de la misma forma, como Rasputín hizo al zar, minando la autoridad y la capacidad de gobernar, después de ganar la confianza. Queda evidente como es fácil Putín subir los peldaños nel enorme vacuo de poder de Trump.
Si lo llamamos Rasputín o Putín, tenemos un hechicero muy peligroso, oscuro, viviendo entre nosotros, sin límite en los actos para dominar el mundo. Trump es apenas un insensato peón nel ajedrez bien jugado de Putín.

● Não me venhas com Exu Tranca-Rua. O que precisamos é Exu Tapa-Buraco.
● Voltando ao historiador do século 31. Sobre a heresia dos cátaros pensaria no bloqueio de Catar pela Arábia Saudita.
Confundiria a tribo sul-mato-grossense Caiuá com a tribo pele-vermelha Caioua.
● Agora a moda é nova idade glacial e novo dilúvio. Mas isso só se cair mais um planetóide. Há cerca de 11.500 anos o meteoro da Carolina causou o mais recente dilúvio e uma idade glacial por causa da fuligem vulcânica que encobriu o céu e deixou o Atlântico como lodo durante cerca de mil anos. Dali as lendas da era quando não existiam as estrelas nem o dia.
● O ciclope da mitologia grega é uma alegoria poética dum vulcão. O olho único é a cratera, donde lança pedra. Na natureza não há animal de olho único (a não ser que seja apenas um sensor ótico), pois o olho em par tem a finalidade de localizar a terceira dimensão, ou seja, a distância, dum objeto visto, por triangulação. Um caolho não mediria com precisão a distância do alvo, ou seja, não precisaria se está mais perto ou mais longe.

O mesmo fazem os ouvidos. Trabalhei num escritório onde tinha uma mesa com três telefones. Como tenho surdez parcial no ouvido esquerdo (não ouço o tique-taque do relógio nesse ouvido), não sabia qual tocava. Algumas vezes acertando na terceira tentativa.

Coleção de cartão-postal de Joanco





quinta-feira, 8 de junho de 2017

Grandes temas de lo oculto y lo insólito 3 de 4

  

 Os míni-bandidos e um conto de Bóris Karloff

● Concluir que porque há concha nas margens o lugar esteve no nível do mar pode ser um engano, já que, como disse Otto Muck em O fim da Atlântida (Alles über Atlantis: Alte thesen - Neue forschung), a espantosa catástrofe que causou o mais recente dilúvio universal produziu ondas que atingiam o pico do Himalaia.
Os cientistas, aparentemente tão rigorosos e demonstrativos, fazem suposições apressadas e irresponsáveis que pouco a pouco viram dogma por acomodação. Essa das conchas é apenas uma. Basta um cientista ou diletante filosofar que a inteligência humana se desenvolveu por causa das mãos e de observar as estrelas, a idéia se solidifica como tártaro dentário e se estabelece como dogma não-escrito. Como esse, muitos estereótipos científicos e cinematográficos sofrem o mesmo fenômeno. Outros dogmas são de que a Terra tem gravidade constante ao longo da existência, de que a Terra é maciça e tem o núcleo de ferro fundido, e muitos outros.
● Uma inversão dos nomes de dois extremos geográficos:
A constituição da cidade-estado grega é conseqüência de longo processo. Conforme Mossé, o que conhecemos como civilização grega se desenvolveu entre os séculos -8 e -4, em extensa área que ia do mar Negro (as então chamadas colunas de Hércules) ao estreito de Gibraltar, então conhecido como ponto Euxino.

Antígona e a ética trágica da psicanálise, Ingrid Vorsatz

● O que conhecemos como colunas de Hércules é o estreito de Gibraltar, entre o sul da Espanha e o norte da África. Mas no passado houve outras.
Em entrevista à agência russa de notícia Sputnik, Frau contou que, enquanto se acredita que os chamados pilares de Hércules definem o que é conhecido como estreito de Gibraltar, na verdade estariam localizados no estreito da Sicília. Portanto a ilha misteriosa descrita por Platão é a Sardenha.
Também entre o mar de Mármara e o mar Negro, separando Ásia de Europa, um estreito que já foi chamado colunas de Hércules.
As colunas de Hércules à qual Platão teria se referido seriam não o estreito de Gibraltar mas o estreito que outrora comunicava ao Mediterrâneo o lago Tritônis de Diodoro, o atual Chott-el-Jerid, lago salgado e sazonal no Saara, que seria ao mesmo tempo o mar Atlântico que Platão erradamente tomara por oceano.
[…] as medidas de Platão estariam exageradas por um fator de 30 (devido à confusão entre estádios gregos e a unidade de medida egípcia), e essa Atlântida seria apenas uma colônia da Atland frísia referida por Oera-Linda
Thet Oera-Linda bok, um manuscrito escrito em frísio, que apareceu em 1867 e foi traduzido ao inglês em 1876. O texto, datado de 1256, afirma ser uma cópia de manuscritos ainda mais antigos, que datariam de -2194 a 803. Mas tudo indica que é fraude. O papel no qual foi escrita parece ser do século 19. Conta a história duma terra chamada Atland, povoada por ancestrais dos frísios, povo do extremo norte da Holanda e Alemanha, que teria afundado no mar do Norte em -2194, e de seus descendentes, que teriam difundido a civilização e a escrita da Fenícia a Tiauanaco. Essa versão nórdica da Atlântida teria grande influência nas teses sobre a superioridade dos arianos.
O geólogo alemão Paul Borchardt defendeu idéia semelhante em 1926. Identificou o antigo monte Atlas não com a cadeia do Magrebe que hoje tem esse nome, mas com as montanhas Ahaggar, no coração do Saara. Tentou estabelecer correlação entre os nomes dos dez filhos de Posêidon indicados por Platão com os de tribos berberes modernas e afirmou que as colunas de Hércules eram colunas propriamente ditas, dum templo desaparecido. Sugeriu que a Atlântida, rica em metal, seria o palácio de bronze de Alcínoo, de Odisséia, e também a cidade de bronze mencionada em Mil-e-uma noites. Perto de Cabes encontrou o resto duma fortaleza que pensou ser a Atlântida mas que logo se mostraram ter pertencido a uma cidade romana.
Em 2002 o jornalista italiano Sergio Frau publicou o livro Le colonne d'Ercole (Os pilares de Hércules), no qual afirmou que antes de Eratóstenes os gregos localizavam os pilares de Hércules no estreito da Sicília. Seria só após a época de Alexandre que o geógrafo os relocalizou. Segundo sua tese, a Atlântida seria a civilização nurágica da Sardenha, devastada por um vagalhão. Os sobreviventes fundaram a civilização etrusca. Mas a descrição de Platão seria influenciada por Cartago.
Também em 2004, Christian M Schoppe e Siegfried G Schoppe publicaram Atlantis und die sintflut (Atlântida e o dilúvio) no qual afirmaram que a Atlântida seria a costa noroeste do mar Negro, que submergira em -5.510. O mar Negro seria até então um lago dágua doce mas uma elevação do nível do mar fez o Mediterrâneo fluir ao Bósforo (que nesse caso seriam os pilares de Hércules), provocando a inundação.
Não é de espantar que haja tanta confusão no tema Atlântida. Se os investigadores ignoram que os rios mudam de curso ao longo dos milênios, que os nomes, muito pior, mudam muito mais, isso sem falar nas falsificações históricas e à arapuca de se acreditar em documentos duvidosos, vejamos um exemplo gritante:
Heracléia no mar de Mármara

Heracléia no mar Negro
Asiana seria todo ou parte do que Platão chamava Ásia
Notar que a norte da Armênia há um local chamado Ibéria e a nordeste Albânia
Imaginemos um historiador do século 31 estudando a desaparecida e enigmática civilização do século 21 cujos idiomas estão tão desaparecidos quanto o latim. Quanta confusão faria com Guadalajara no México e Espanha, Cartagena colombiana e espanhola, Córdoba argentina e espanhola, as quantas Santiago que há, tantos rio Grande, rio Negro, quantas cidades ianques com nome de cidade grega, Nova Iorque no Maranhão…
Ainda mais a confusão que faria com a Galícia, que em português é uma região histórica da Europa central, com a Galiza, que em castelhano se chama Galicia. Galícia, Galiza, Gália, Galiléia. Quê confusão faria! Não se sairia melhor que nós com nossa barafunda bíblica e atlante. O dâniquem do século 31 defenderia a tese de que no século 20 já colonizaram Europa, o satélite de Júpiter, o confundindo com o continente terreno.
Carcóvia - Uma das maiores cidades da Ucrânia, na região de Carcóvia
Cracóvia - Cidade do sul da Polônia, na margem do rio Vístula
● Folheando um enorme livro de arquitetura campo-grandense no sebo Hamurábi, eu disse ao vendedor:
— Está desatualizado
— É que…
— As ruas não têm buraco. 
● A manchete dum artigo no Linkedin:
Enquanto o prefeito de São Paulo, João Dória, e a justiça paulista travam uma guerra particular pela internação compulsiva de...
Sem comentário…

Coleção de cartão-postal de Joanco

 



sexta-feira, 26 de maio de 2017

O sudoco mais difícil do mundo - solução de Che Guavira

Solução de Che Guavira
[Sudoku, sudoco, quebra-cabeça, rompecabeza, puzzle, desafio, semelhança, cartão-postal, Joanco
Avisar conexão rota a mariojorgevargas@gmail.com]
Em postagem passada considerei algo sobre o famigerado sudoco mais difícil do mundo (que nem é um sudoco perfeito porque a solução não é única), cuja engenharia não permite preencher lacuna com os múltiplos-exclusivos. Concluí que pra o solucionar como quebra-cabeça (sem chute nem programa informático) teria de descobrir uma propriedade matemática entre os elementos da matriz ou novo critério análogo ao de múltiplos-exclusivos.
Criei o critério de busca ao elemento-em-comum, que possibilitou resolver o desafio.
Agora quero saber onde receber meu prêmio de 100 mil.
Se não tem prêmio, esperar os amigos fazerem uma vaquinha.

À coleção Adeene neles!
 
Metralha V-002 - Ramão

Emiliana - Irene Ryan
Não é só a aparência fisionômica de Emiliana com Irene Ryan. O jeito de falar e os trejeitos (da dublagem) da personagem vovó Margarida Moses da série A família Buscapé (The Beverly Hillbillies) de 1962


Sylvia Kristel - Larisa Guzeeva (atriz soviética)

Coleção de cartão-postal de Joanco
 




Pronto
Com rótulo (tag) e título de postagem
Como manda o figurino
Tenho de arranjar tempo pra acertar isso nas postagens anteriores

segunda-feira, 8 de maio de 2017

 (renomear a .cbr)
Enviado por Bartolomeu 777
Eis mais um número desse encantador gibi, o predileto de Bartolomeu
Grato a Roland Font,  parceiro de http://www.realismofantastico.net/, a turbinada geral no blogue
Com a palavra os leitores
● Secretaria municipal de política para as mulheres! Imagines quantas mais baboseiras demagógicas assim existem pra desperdiçar o dinheiro do contribuinte.
● Já falei sobre a bobeira que é o melindre contra o tal de espóiler, como se a vida de personagens fictícias estivessem protegidas por direito a privacidade. Outra bobeira é o clichê dos quadrinhos e desenhos animados: Moleques jogando bola na rua, em frente de casa, seja futebol, beisebol ou o quê. A bola quebra a vidraça da janela ou da porta do vizinho, sempre avarento (é um clichê). Fico pensando:
— Se sabe que as crianças brincarão ali como brincam em todo lugar, por quê não põem vidro mais resistente? E quê vidro tão frágil é esse que se quebra ante uma bolada de criança? E quê vizinho tão avarento, que cria caso contra jogo de criança?, ainda mais acidental.
Não sei se é um estereótipo, mais uma das muitas bobeiras dos filmes e gibis, mas nunca vi nem passei isso quando criança, que me lembre.
Também nunca ouvi falar sobre a loura do banheiro, palhaços assassinos…
Vejo nos filmes e seriados sobre adolescentes na escola, a expressão ser popular. Nunca ouvi tal expressão.
O tal de ser o dono da rua, tão recorrente na turma da Mônica, também me causa estranheza.
Vender limonada só vi em Luluzinha e nos sobrinhos de Donaldo.
Multa por estacionar em hidrante. Aqui hidrante é raridade.
Também é só nos gibis Disney que cachorro corre atrás de gato. Na vida real gato vira-lata é quem põe cachorro pra correr.
Outra coisa que também só vi nos gibis é a tal carrocinha, a prefeitura recolhendo os cães vadios, tão recorrente nos gibis, especialmente em A dama e o vagabundo.
Aqueles episódios onde o novo aluno tem de passar um ritual de iniciação como espécie de trote, pra ter direito a entrar nalgum grupo alfa, beta, capa ou outra letra grega besta. Mais besta ainda quando são adultos que entram nessa. Nunca imaginei tal coisa. Só vejo em filme.
Há muito vi numa reportagem alguém falando sobre os anos 1960 e 1970 como se fosse uma época de promiscuidade sexual total, como se fosse uma geração composta só de maníacos sexuais de todo tipo. Como? Nunca fui assim, nem meus pais e tios.
● (Dicionário Disse-o-Mário): Xerox se pronuncia xeróx. Xérox é pronúncia em língua inglesa.

Coleção de cartão-postal de Joanco

 
 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Enviado por Márcio Rodrigues

● Não é verdade o que afirmam alguns iutubeiros de geopolítica, de que Eua estaria protegido contra mísseis russos, chineses e norte-coreanos pela imensidão do Pacífico. Pra atacar Eua e vice-versa, por exemplo a Rússia não precisaria lançar mísseis atravessando oceano e sim via pólo norte. Ali ambos países estão bem perto.
É incrível como o pessoal comentando ou redator que supostamente entende de geopolítica aventa que a Coréia do Norte guerrearia sozinha contra os amariconas. Então na hipótese do poderio ianque se fortalecer na região, Rússia e China pagariam pra ver? Nem eu, leigo, pensaria isso. Tem de pôr um chapéu cônico nesses comentadores, ou melhor, palpiteiros, e escrever Burro.
● As acusações dos amariconas, de o governo sírio executar ataque químico lançado por avião é óbvia mentira. Armas químicas se lançam através de obus, nunca de avião.
● Outro equívoco recorrente é a idéia de usar bomba atômica pra destruir planetóide em rota de colisão contra a Terra. Já vi comentário comparando o poder explosivo de bomba nuclear, o que não é muito apropriado. Claro que ela tem poder explosivo mas se caracteriza mais por emissão de calor do que por poder explosivo. Tanto é que as lançadas sobre o Japão explodiram a 500m de altura, pro raio de ação ser maior.
● Na moda de apontar as bobagens cinematográficas, como lenço com formol pra fazer a vítima desmaiar num instante, silenciador de arma-de-fogo cujo ruído é só soluço, corpo explodindo de astronauta solto no espaço, etc, sempre me espantou ver como as personagens afundam tão fácil em areia movediça, um dos monstros prediletos das aventuras de Tarzã. Não podemos voar porque somos mais densos que o ar mas flutuamos na água, então é claro que não afundamos na areia movediça, que é mais densa que a água.
Outro monstro recorrente em Tarzã e outros tantos é a piranha. Só há risco se sangrar na água. Em 1981 meu pai era delegado em Rio Negro, Mato Grosso do Sul, no Pantanal de Mato Grosso. Caçávamos capivara, que é um roedor que se multiplica como rato. Num fim de tarde ele de longe atirou em dois patos pretos selvagens, enormes. Caíram na água rente à margem oposta dum riacho. Calcei um tênis, por causa das arraias, e fui buscar. Um já tinha uma mordidela de piranha, na verdade pirambeba. Não fui comido, restando só meu esqueleto, como nos filmes.
● Ramão e Emiliana foram a Foz do Iguaçu. Continuam reclamando da carne malpassada e mal temperada, mesmo no lado de cá. Mas reconhece que a carne aqui é apenas malpassada. Que na Argentina não. Que lá é cru mesmo. Disse que no lado argentino o pessoal é bem mais afável que em Buenos Aires. Que o pessoal do lado paraguaio é muito mais legal que o do lado brasileiro. Exceto a alfândega de lá. De lá a cá é tudo livre. De cá a lá é a síndrome de estados-unidos. A maior cidade na tríplice fronteira é a brasileira Foz do Iguaçu, seguida da paraguaia Cidade Leste, e da argentina Porto Iguaçu. Que o responsável pela estrutura turística na catarata foi Santos Dumont, quem lutou por isso. Que o concreto na construção de Itaipu foi de qualidade máxima. Os grandes blocos eram levados prontos, em molde. Se formasse bolha era reprovado pelo controle de qualidade.
Vale lembrar que foi a época do governo militar. Hoje, em nossa desmazelada capital dos buracos, um convênio com o Exército, pra recuperar as ruas. Diz que o Exército reprovou a qualidade do material fornecido pela empresa tapa-buraco, se é que existe tal empresa.
É bom acabar logo com o mito de que privatizar é bom e que o estado é sempre incompetente, plantado pela imprensa, internacionalista e anti-patriótica, contrária aos interesses da nação.



O pessoal que usar palavra em inglês e imita os amariconas, por quê não imita o Niágara, descendo a catarata do Iguaçu em barril?
Um mentiroso contando ao outro:
— Fui passear na tríplice fronteira: Brasil, Paraguai e Argentina.
— E eu na quádrupla: Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai.

● Já pensaste o quão fácil é uma mentira ou texto de ficção adquirir ar de grande mistério da história? Tão fácil quanto um evento real incômodo ser relegado ao reino da fantasia. É muito mais freqüente do que se imagina.
Eis um artigo sobre o mistério do Orang Medan, homem de Medã, em malaio, como orangotango, orang hutan, significa homem da floresta:
 1900–1949
O mito do navio-fantasma Orang Medan, 1940
 ESTELLE, 29.12.2015
A história do navio-fantasma o Orang medan nunca foi tão famosa quanto a do Maria celeste, apesar dos detalhes serem mais horríveis. Toda a tripulação, inclusive o cão do navio, foi encontrada morta com a boca aberta e os olhos arregalados, sem vestígio da causa, apenas algumas mensagens desesperadas de esseoesse enviadas durante a tragédia. É um mistério multifacetado. Muito tempo foi gasto tentando desvendar o quê acontecera a bordo através das muitas e cada vez mais fantasiosas teorias, mas há uma grande escola de pensamento que diz que a história é pura ficção.
Nada foi provado conclusivamente, exceto…
Acho que encontrei algumas evidências que mudarão essa história definitivamente e que minha nova informação prova que é apenas invenção moderna, lenda urbana ou seu equivalente náutico.
Há muitos blogues interessantes detalhando o que se sabe sobre o caso. Ou melhor, o que não se sabe, como Seeks ghosts, MB Forde’s e outros. Há muitos detalhes diferentes e especulação. Então contarei o caso como consta na Wikipédia.
A estória apareceu em primeira vez no jornal holandês-indonésio De locomotief: Samarangsch handels- en advertentie-blad (A locomotiva: Folha de comércio e notícia samaranguense) em capítulos entre 3 e 28 de fevereiro de 1948. Resumindo:
Nalguma data cerca de junho de 1947 uma mensagem de SOS em código-morse foi enviada pelo navio cargueiro holandês Orang Medan em perigo numa posição 400 milhas náuticas (732,8km) a sudeste das ilhas Marxal, no oceano Pacífico. A mensagem era enigmática e arrepiante. Recebida pelos navios ianques Cidade de Baltimor e Estrela de prata, a primeira mensagem SOS do Orang Medan * * * flutuamos. Todos os oficiais, inclusive o capitão, mortos na sala-de-rádio e na ponte. Provavelmente toda a tripulação morta * * * seguida de rabiscos em morse. E então a segunda e última mensagem, enviada por um operador de rádio condenado: Morri.
O Estrela de prata localizou o Orang Medan e tripulação a bordo do navio, que parecia não ter sofrido dano. Encontraram a tripulação morta cum tripulante e todos os cadáveres de passageiros nas partes traseiras da maneira acima mencionada: Olhos arregalados e boca aberta como gritando, fitando como horríveis caricaturas de si. A tripulação do Estrela de prata nada encontrou pra explicar a situação e pretendia conectar o navio pra o rebocar ao porto mais próximo. Mas antes disso se incendiou um porão de carga e os pretensos salvadores foram evacuados de volta. Pouco tempo depois viram o Orang Medan explodir e afundar. Nunca mais foi visto.
Posteriores versões da estória concluem que o encontro foi na verdade de fevereiro de 1948 e que a posição do navio-fantasma em vez disso foi no estreito de Malaca, em água indonésia. O relato aparentemente se originou dum grupo alemão sobrevivente do Orang Medan, que nadou ao atol de Toangi, nas ilhas Marxal e lá contou a estória a um missionário, que contou a Sílvio Scherli de Trieste, Itália, quem foi a fonte da estória ao jornal holandês. A razão pela qual o membro da tripulação fez mistério foi que o navio levava uma carga ilegal de ácido sulfúrico. Gases escapando dos recipientes quebrados intoxicaram a tripulação. Há muitas outras teorias sobre a natureza da outra carga secreta, em vez disso não sendo muito tempo após o fim da segunda guerra mundial, uma carga de gás tóxico foi sugerida.
Mas existem alguns problemas com a estória: Não há registro oficial dum navio chamado Orang Medan e, apesar de que o Estrela de prata existia, em 1948 foi renomeado SS Santa Cecília e mais freqüentemente era visto ao longo do Brasil em vez de no estreito de Malaca.
Após os artigos holandeses de 1948 apareceu a mais antiga referência em inglês conhecida sobre a estória, publicada pela guarda costeira ianque, na edição de maio de 1952, da pesquisa do conselho da marinha mercante. O narrador original, Silvio Scherli, também aparentemente escreveu um relato sobre o assunto pro Trieste export trade, publicado em 28 de setembro de 1959:
A mais antiga referência conhecida em inglês sobre o navio e o incidente está na edição de maio de 1952 do processo do conselho de marinha mercante, publicado pela guarda costeira ianque. A palavra orang (também grafada ourang) é malaia, homem ou pessoa, sendo Medã a maior cidade da ilha indonésia de Sumatra, dando uma tradução aproximada a Homem de Medã. Relatos sobre o acidente do navio apareceram em vários livros e revistas, principalmente em Forteana. Mas a exatidão factual e a existência do navio não foram confirmadas, e detalhes arquitetônicos e históricos do navio permanecem desconhecidos. A busca a registro oficial ou registro de investigação sobre o acidente foram mal sucedidos.
A primeira aparição da estória foi numa série de três artigos no jornal holandês-indonésio De locomotief: Samarangsch handels-pt advertentie-blad, 3 de fevereiro, 28 de fevereiro e 13 de março de 1948. A estória é basicamente a mesma das versões posteriores mas com diferenças significativas. O nome do navio que encontrou o Orang Medan nunca é mencionado mas o local do encontro é descrito como 400 milhas náuticas (740km, 460 milhas) a sudeste das ilhas Marxal. O segundo e o terceiro artigos descrevem a experiência do único sobrevivente da tripulação do Orang Medan, que foi encontrado por um missionário e nativos no atol de Toangi (sic!) nas ilhas Marxal. Antes de morrer o homem disse ao missionário que o navio levava uma carga mal ajeitada de ácido sulfúrico e que a maioria da tripulação morreu por causa do gás venenoso escapando dos recipientes quebrados. De acordo com a história, o Orang Medan foi velejando dum pequeno porto chinês anônimo à Costa Rica, deliberadamente evitando as autoridades. O sobrevivente, um alemão anônimo, morreu depois de contar a estória ao missionário, que contou a história ao autor, Silvio Scherli, de Trieste, Itália. O jornal holandês concluiu cum aviso de isenção:
Esta é a última parte de nosso relato sobre o mistério do Orang Medan. Devemos repetir que não temos outros dados sobre esse mistério marítimo nem podemos responder às muitas perguntas do relato. Pode parecer óbvio ser um emocionante romance marítimo mas o autor, Silvio Scherli, garantiu a autenticidade.
Wikipedia, 12.2015
1952 foi a mais antiga menção conhecida sobre o caso em inglês. Ou seja: Até agora.
Se o incidente ocorreu entre 1947 e 1948, o primeiro relato foi em 1948 e a primeira menção em inglês foi em Eua em 1952, por quê encontrei artigos sobre o assunto em jornais britânicos de 1940? Escrito ao menos sete anos antes, a tragédia seria supostamente real. Peculiar, hem?
Encontrei menções em dois jornais do Reino Unido: The Yorkshire post e The Daily mirror, datando dos dias subseqüentes, em novembro de 1940. Eis:
De Yorkshire evening post, 21.11.1940:

De The daily mirror, 22.11.1940:


As páginas inteiras, pra mostrar que são de 1940:
 
Yorkshire evening post, 21.11.1940

Yorkshire Evening Post, 21.11.1940

The daily mirror, 22.11.1940

The daily mirror, 22.11.1940

Esses artigos estão disponíveis no infinitamente fascinante arquivo do jornal britânico (British newspaper archive).
Os detalhes em ambos relatos são os mesmos, embora mais extenso em The Yorkshire post. A razão é que são da mesma fonte, a Associated press, a maior e mais antiga organização noticiosa do mundo. Se se originou lá, eu diria que deve haver muito mais jornais no mundo que a relataram em novembro de 1940.
Muitos detalhes são os mesmos da versão de 1948, com notáveis exceções. Nada há dos detalhes escabrosos do aspecto dos tripulantes falecidos, o navio é a vapor e não cargueiro, e o local foi alterado novamente. Nesse primeiro relato o navio foi encontrado a sudeste das ilhas Salomão.
Eis um mapa da área do Pacífico. Marquei as ilhas Marxal, ilhas Salomão e o estreito de Malaca:
 
Vês como estão muito longe entre si, embora a região seja reconhecida como escassamente povoada? Em 1940 foi nas ilhas Salomão, em 1948, de repente 1300 milhas (2.100km) a norte das ilhas Marxal, e finalmente a 4000 milhas (6.400km) mais a oeste no estreito de Malaca. Acho que seria difícil se enganar assim quanto a onde a nave foi encontrada.
Significativamente, as mensagens de esseoesse são marcadamente diferentes. Isso é muito interessante.
O primeiro disse SOS de navio a vapor Orang Medan. Favor navios com rádio de onda curta chamar um médico. Urgente. O segundo Provável segundo oficial morto. Outros membros também mortos. Desconsiderar a consulta médica. SOS assistência urgente a navio guerreiro. O artigo disse que o navio então informou sua posição e terminou com a incompleta mensagem final A tripulação tem…
Suponho supérfluo mencionar navios guerreiros na seguinte expansão da estória, no pós-guerra, 1948.
Outra diferença notável é que a história disse vir diretamente dum oficial de marinha mercante da nave resgatante. Não é um fracassado sobrevivente do navio afundado relatando a um missionário. A nave resgante não foi nomeada aqui nem na versão de 1948. O detalhe do Estrela prata depois foi jogado a baixo do tapete em sua passagem de relato jornalístico a lenda.
Mas, e acho que é o cerne da estória, temos o mesmo detalhe que as informações vindas de Trieste e também datadas naquela manhã de quinta-feira. Com outras palavras: No mesmo dia apareceu no jornal da tarde.
Trieste é o elo fundamental. Portanto podemos assumir que Silvio Scherli, de Trieste é a mesma pessoa envolvida nessa estória e na versão posterior. Se foi a fonte da estória de 1940 não há como sinceramente relatar o caso em 1948 o descrevendo como novo incidente. Haveria outra fonte da estória em Trieste em 1940? Talvez alguém que contou a Silvio? Se a estória nasceu na Indonésia as fontes seriam numerosas. Mas Trieste parece muito específica e distante demais pra ter muitas testemunhas ou outras pessoas que conheciam a longínqua estória. Arquivos da Associated press ou outros artigos de jornal que floresceram de seus relatos podem ser a chave.
O Locomotiva afirmou claramente que a totalidade de sua informação veio de Scherli, que terminou sua série cum muito cético É a última parte de nosso relato sobre o mistério do Orang Medan. Repetimos: Não temos outros dados sobre esse mistério marítimo nem podemos responder às muitas perguntas sobre o caso. Pode parecer óbvio ser um emocionante romance marítimo mas o autor, Silvio Scherli, garantiu a autenticidade do relato.
Cheira a quê? Um caixão quebrado de ácido sulfúrico ou alguém com fogo na roupa?
Parece uma teoria provável que esse romance marítimo começou e terminou com Silvio Scherli. Mas se lhe aprazia embelezar a estória, com o passar dos anos adicionou olhos esbugalhados e bocas escancaradas, e mudou a localização. Orang Medan é traduzido a Homem de Medã em malaio, talvez da cidade de Medã, Indonésia, adjacente ao estreito de Malaca, tardiamente considerado local mais adequado prum navio que leva seu nome.
É uma área onde obviamente o mistério prosperaria. Na verdade as ilhas Marxal também foram propostas como o local onde Amelia Earhart fizera pouso forçado.
Minha teoria final é que Silvio não conseguiu notoriedade o bastante porque na primeira vez a notícia foi abafada pelos eventos da guerra mundial em curso. Talvez a deixou engatilhada até a guerra terminar, esperou as notícias do mundo se acalmarem e tentou novamente. Mas talvez haja ainda mais a descobrir sobre como a estória saiu do papel.
De qualquer forma, não acredites em tudo o que lês nos jornais.
Tradução de Che Guavira, de
  
À coleção Adeene neles!
 
Aurélio Buarque de Holanda - Vinicius de Moraes
  

Datena - Poroshenko
  

Guilherme Karam - Edward Yankie
  

Coleção de cartão-postal de Joanco