Abril 2016 - Che Guavira - sítio literário

sexta-feira, 29 de abril de 2016

quinta-feira, 28 de abril de 2016

domingo, 24 de abril de 2016

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Eu vicero, tu viceras, ele vicera, nós viceramos, vós vicerais, eles viceram
● Anos atrás me cansei de procurar na internete um mapa do antigo Mato Grosso, anterior a 1979, quando Mato Grosso do Sul era o sul de Mato Grosso. Não achei. Idem pro antigo Goiás, de antes de Tocantins.
Tive de recorrer a minha coleção enciclopédia Barsa 1973 (ou a Delta Larousse 1976).
Tem gente que joga fora essas enciclopédias porque acham que se tem tudo na internete a enciclopédia está obsoleta. Nem sebo quer saber delas.
Como podem ser tão estúpidos?
Eu disse ao sebista que se a enciclopédia está desatualizada como geografia nunca o estará como história.
Outro exemplo: Já contei sobre o caso das mãos enfeitadas do tio de Lovecraft. A tradução correta é elegante caligrafia, pois hand em inglês também significa caligrafia. Toda a equipe ficou patinando nisso, pois na internete não se achava solução pra traduzir a expressão. Foi fuçando no dicionário inglês-português-inglês, da citada Barsa 1973, que encontrei a solução.
Então esqueças a idéia fajuta de que na internete tem tudo.
A gente imagina que tem tudo no comércio, que tudo está disponível.
Pois quando precisei de mola pra encaixar a estante que eu estava fazendo tomando toda a parede tive de tirar mola de chaveiro, pinça de varal e caneta, pois mesmo em ferro-velho só se acha mola grande.
E muitas outras vezes quando precisei duma coisa assim-e-assão tive de improvisar.
Igual a crença de que vivemos na mais completa liberdade democrática.
Basta pensar no fisco e nas barreiras alfandegárias pra nos dar uma ducha fria.
● O pessoal não quer saber de coisa que mexe com a auto-estima. Quando publiquei a identidade dum episódio de Doctor Mortis com um de Hitchcock apresenta, e depois, apontando a matéria em fóruns, ninguém comenta. É tabu.
Há pouco, na comunidade Taringa, onde uma postagem disse que a queda do ditador argentino Rosas se deveu a altos e baixos do poder. Eu disse que não. Que Rosas planejava ocupar o Rio de Janeiro mas duque de Caxias ocupou Buenos Aires e Montevidéu antes, e Rosas fugiu a um navio inglês, se exilando na Inglaterra.
Então um senhor idoso pediu a fonte, pois nunca soubera de tal coisa.
Colei as conexões e disse que não tenho culpa se os argentinos varrem a baixo do tapete fatos históricos que mexem com sua vaidade.
● Quando do evento do 11.09 nossa imprensa entreguista afirmou que era a primeira vez que Eua sofreu ataque em seu território. Isso não é verdade. Pancho Vila atacou cidades ianques durante a guerra Eua-México. Antes disso, em 1814, os britânicos atacaram Uóchintão e incendiaram a Casa Branca.
● Por que não pode colar em prova? Prova é, como o nome diz, uma forma do aluno provar que conhece. Mas não é pra provar que tem supermemória.
A repressão à cola é um dos arquétipos errôneos dos quais não conseguimos nos desvencilhar. Virou dogma.
Acaso um arquiteto ou engenheiro tem na memória todas as fórmulas que precisar e todos os textos sobre a matéria? Claro que não! Quando precisa fazer um trabalho consulta, pesquisa, pergunta. Então por quê o aluno tem de ter supermemória? Isso é surreal e não reflete o procedimento da execução dum trabalho. A prova deveria simular essa execução do trabalho. O aluno tem de provar que conhece a matéria, é competente no assunto, sabe se virar, resolver o problema e terminar a tarefa, e não absurdamente provar que tem supermemória.
Esse culto dogmático e exaltado à prova é arcaico, autoritário, uma camisa-de-força, coisa do século 19. Já não deveria ter sido do século 20.
● Um sujeito que foi expulso da Pedalada pelada porque erigiu.
O que posso dizer sobre essa imensa intolerância e estupidez?
Em todos os movimentos que envolvem nudez a mesma ladainha: De que essa nudez não implica em sexualidade.
No mundo há dois tipos de maníacos: Os maníacos sexuais e os maníacos anti-sexuais.
O que há de errado em haver sexualidade no contexto?
O problema é que não querem diferenciar entre sexualidade saudável e patológica. Então vão nivelando por baixo.
Vivemos com a tecnologia de nossos tataranetos e a moral de nossos tataravós.
No Peru mulheres indígenas fizeram protestos sociais se postando na calçada, de topilés, entoando cantos tribais.
As autoridades fizeram tempestade em copo dágua alegando que havia menores, garotas de 16 anos nas manifestações.
Outra manifestação de imensa intolerância e estupidez.
Já estamos perto de completar ¼ do século 21 e a nudez ainda é tabu. Quê povo mais infantil! Um bando de hipócritas debilóides que têm vergonha da própria natureza!
Primeiro: Estão impondo a ideologia do branco ao índio, essa pseudomoral vitoriana sem pé nem cabeça.
Segundo: Que pseudoproteção ao menor é essa? Pura hipocrisia.
Terceiro: Essas otoridades não têm mais o quê fazer?
Mas sabemos que nos postos burocráticos não estão os melhores cérebros, assim como não estão nas universidades. Ao contrário. Em atividade tão enfadonha, tão chata, só cérebros indigentes suportam a rotina. É basicamente isso a tragédia espiritual de nossa era. Se age conforme estereótipos, aparências. Faço o que penso que pensam que devo pensar.
Justamente porque os homens inteligentes fogem desses serviços aborrecidos, atolados numa moralidade vaga e suposta, é que eles são mais e mais ocupados por mentes zumbificadas, protocolares, robóticas.
Tudo isso evidencia que o ser humano está muito longe de ter a autêntica mentalidade do século 21.
Uma humanidade ainda muito imatura, muito zumbi. Verdadeiras formigas do intelecto.
Tanto é que toda sexualidade normal é considerada imoral e paradoxalmente defendem furiosamente o direito a perversões sexuais.


quinta-feira, 21 de abril de 2016

Sociedade Gráfica Vida Doméstica, 144 páginas, capa dura, formato 23x31,5cm², Brasil
sobre a editora:
Linda edição em formato maior que o almanaque do Globo juvenil, não cabendo no escâner, tendo de ser fotografado.
O interessante é que são outros quadrinhos, diferentes dos tradicionais, a tornando muito diferente do Globo juvenil e sucedâneos.
Uma novela de Malba Tahan, A caixa do futuro, uma interessante crônica sobre os provérbios de quartel, uma excelente aventura em quadrinho colorido, Satã do universo, sucedâneo de Flash Gordon.
Muita curiosidade, estórias em quadrinho de qualidade e belos contos que textualizei e reuni em .pdf:
No conto A fonte da Alegria, um pouco resvalando mais ao moralismo bom-menino, bem típico da época (Se nota nitidamente que a editora era católica), mas nem por isso perdendo a qualidade literária, pra acessar à fonte o menino é provado pelos guardiães. Ali não poderá entrar com seu cão. Os guardiães têm como virtude o menino se desapegar do cão e seguir a diante. O que me fez me lembrar doutro conto, onde o sujeito foi informado de que pra entrar no Paraíso terá de ir só, deixando o cão, que não pode entrar. Como se recusou a entrar sem o cão, foi considerado sujeito virtuoso, que não abandona o amigo pra obter benefício. Se aceitasse entrar sozinho seria barrado de vez.
O que mostra que a coerência não é a tônica nos contos moralistas. Uma moral circunstancial e arbitrária, pois moral não existe na natureza. É uma invenção humana. Já percebi, comparando outros contos, contradições assim. Um conto moral pregando uma coisa e outro pregando outra oposta. Se o leitor tiver curiosidade perceberá muito disso nos contos morais.
No belo conto Trágica madrugada fiz uma nota de rodapé na curiosidade de esclarecer o apelido uma personagem, Sarigüê. O animal sarigüê é o gambá.
Desconhecendo a palavra, e lamentando a neobagunça ortográfica, não sabia se a pronúncia é sarigüê ou sarighê.
Melhor seria se usassem o w (e já que fizeram a maluquice de colocar k,w e y de volta ao alfabeto e expulsar o trema. Pobre trema, que terá de fazer companhia a Plutão (O til que fique esperto, pois os expertos o matarão: Plutão Logo virará Plutao), já que têm preguiça de usar trema: Sarigwê.
— E agora? Se todas as páginas aderiram a neobagunça ortográfica não saberei como se pronuncia.
Sorte que apareceu um dicionário que não aderiu à neobagunça.
Não tem como um idioma ser como um código, bem matemático. Seria enfadonho. Mas se ficar muito ideográfico também é ruim. O ideal é um meio-termo satisfatório. É como num conto onde a fantasia e a ciência se dosam, não sendo documentário nem fantasia pura. O grande autor sabe dosar, como ao fazer uma limonada, sem adoçar nem azedar demais. Pra isso precisa talento. Que é o que falta aos reformadores bem intencionados mas incompetentes.
O almanaque de 1956 já está fotografado. Em breve será postado.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Na página 83 de Mistérios 004, 06.1937, editorial Lu, Rio de Janeiro, um exemplo da palavra exquisito significando delicado, fino, requintado.
A palavra pertence à língua portuguesa, sim. Se anda desaparecida por desuso, é por causa da ignorância (dicionaristas inclusive).
Como experto (perito, especialista), correndo o mesmo risco de desuso por causa dos ignorantes que, ignorando sua existência, usam o anglicismo expert.
Empeachment (impedimento), pizza, show (espetáculo), laser, diesel, marketing, merchandising, design (projeto), blog, internet, e uma batelada de vocábulos esdrúxulos, poluindo o idioma, são usados por ignorantes que acham chique permear o discurso com essas formas aberrantes.
É como trajar terno-e-gravata e um boné do Corinthians (Que poderia se chamar Coríntios. Isso mesmo, coríntios são os habitantes de Corinto, cidade grega citada na Bíblia nas cartas aos coríntios. Não sei por quê-diabos o time recebeu o nome em inglês).

Já falei sobre o estúpido modismo de em domicílio.
Dia desses um desses testes enviados como anexo desafiando o leitor a acertar questões de concordância, ortografia, etc. Claro que pra acertar tudo se tem de fazer o jogo do elaborador do teste, professar o corretismo vigente. A questão tipo assim:
Assisti ___ jogo no estádio
A - o, B - ao, C - os
Sendo considerado correto B
O fato de se estabelecer algo como correto não quer dizer que o seja. Se os matemáticos estabelecerem que 1+1 = 3 todo vestibulando terá de marcar esse valor, pra não errar. Se os juízes decidirem que o Amazonas corre de Marajó aos Andes, idem.
Daí vemos considerar Estados Unidos como plural, o que é um absurdo, pois não é uma confederação.
A gramática está mais pra minhoca, que não tem pé nem cabeça.
Mas donde tiraram essa de assistir ao jogo como sinônimo de ver?
Assistir ao jogo é dar assistência, ajudar, colaborar.
Assistir o jogo é ver.
Se fosse como estabeleceram, então teria de ver ao jogo, presenciar ao jogo, o que é uma incoerência.
Se vê que coerência é o que mais falta no mundo gramatical.

E agora a famigerada reforma ortográfica, uma patetada feita por políticos, esculhambando de vez o idioma pátrio.
O português ficará mais ideográfico, como o inglês. Tirando o trema não se sabe como pronunciar palavra nova.
Foi assim que abrôlhos (grafado assim na ortografia antiga) acabou sendo pronunciado abrólhos.
Não há abrólhos nem éstra. Abrolhos é abrôlhos e extra é êstra.
Simplificar demais causa muito estrago.

Coleção de cartão-postal de Joanco








segunda-feira, 18 de abril de 2016

domingo, 17 de abril de 2016

sábado, 16 de abril de 2016

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