Dezembro 2014 - Che Guavira - sítio literário

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Os López nunca quiseram concertar as divisas com o império
Olá sr. Bondius. Obrigado pelo comentário. No original no jornal está consertar. Na linguagem corrente (não sei se só no Brasil) tem sentido de arrumar, restabelecer. Consertar um aparelho que pifou, consertar a bicicleta. Concertar é no sentido de evento, café-com-concerto, concerto, recital, concerto musical. Seria no sentido de combinar, dando idéia de sincronia, ritmo. Consertar as divisas seria no sentido de se reunir pra estabelecer um consenso, tratado, contrato. Não eram divisas que estavam erradas a ser consertadas, endireitadas, mas combinar uma, criando, na base do consenso, as divisas que ainda não existiam.
Claro que é um conceito discutível, mas me pareceu mais adequado concertar em vez de consertar.
Nas entrelinhas da história
Os López nunca quiseram concertar as divisas com o império
Acyr Vaz Guimarães
O
s dois López nunca quiseram concertar os limites territoriais com o império do Brasil. Parece incrível mas é a verdade!
Por que parece incrível?
Porque se supõe que a guerra do Paraguai (1864-1870) aconteceu por causa de terras que os López contestavam e as queriam de qualquer maneira!
Mas, não!
Tanto dom Carlos Antônio López quanto seu filho Francisco Solano  López tinham certeza de que as terras que contestavam não lhes pertenciam.
Dom Carlos Antônio López tinha certeza de que a divisa da república do Paraguai com o império do Brasil se fazia no rio Apa. Em 1843 o então capitão-tenente de nossa marinha, Augusto Leverger, por determinação do gabinete imperial, foi a Assunção pra fazer uma visita de cortesia a dom Carlos Antônio López, partindo de Cuiabá, província de Mato Grosso.
Leverger, por informação do próprio presidente paraguaio, soube sobre um mapa do país elaborado pelo geógrafo espanhol que viveu muitos anos no Paraguai, dom Félix Azara. Dom Carlos, a pedido de Leverger, mostrou o mapa, visto com precisão, conforme relatou ao gabinete imperial, que a divisa com o império era no rio Apa ou Correntes. Como Leverger não foi pra tratar de limite, nada se falou a respeito, mas Leverger tomou boa nota do assunto!
Dom Carlos Antônio López não conhecia a fronteira norte de seu país e procurou saber a exata posição do rio Apa ou Correntes, solicitando ao ex-comandante do forte Olimpo, Manoel Antônio Delgado, o informar com todos os detalhes, respondendo a uma série de pergunta. Com a informação, dom Carlos Antônio López soube que o rio Apa ou Correntes era, como é e sempre foi, o mesmo rio de hoje. Dom Carlos López Antônio não ficou em dúvida.
Noutro lado, devia constar em seus arquivos notícia de 1792, portanto passados 55 anos aproximadamente, quando o Paraguai ainda era colônia espanhola, a descrição de sua fronteira norte, feita por dom Diogo de la Vera, por determinação do governador espanhol dom Joaquim Alós, que dizia: Esta província se estende no norte e na margem oriental do rio Paraguai até o rio Apa ou Correntes que verte no rio Paraguai nos 22º4’ 35’’... que é o paralelo geográfico do mencionado rio (hoje e sempre).
Se percebe que o rio Apa ou Correntes, estipulado por dom Felix Azara e por dom Diogo de la Vera, é o mesmo. Sem dúvida, a divisa do território português, então capitania (1792), com a província espanhola do Paraguai, se fazia no rio Apa, de paralelo geográfico 22º4’ e alguns segundos, que jamais mudará, prevalecendo ante a denominação Apa ou Correntes, que pode mudar.
No exposto bem se vê que jamais os López ou outro presidente poderia mudar a divisa, a não ser com acordo mútuo.
Então o filho mais velho de dom Carlos Antônio López, general com dezoito anos, Francisco Solano López, mantendo severa quizila contra o império do Brasil, sem razão de ser, deve ter influenciado seu pai pra não aceitar o rio Apa ou Correntes como linha divisória mas o arroio (que passaram a chamar de rio) Branco, bem acima do rio Apa, desembocando perto do forte Olimpo, paraguaio, situado na margem direita do grande rio. Nenhuma razão para isso! Só porque o arroio Branco desembocava perto dum forte paraguaio?
Em 1847 presidente Carlos López mandou Juan Gelly ao Rio de Janeiro, pra tratar dos limites. Gelly propunha as divisas no rio Branco (um arroio que seca durante as estiagens), em vez de no rio Apa. Nada argumentava pra mudar a divisa do rio Apa (de acordo com o mapa de Félix Azara) no rio Branco, senão que desembocava quase diante do forte paraguaio de Olimpo.
Nasceu ali a velha contenda. A terra entre o Apa e o Branco seria paraguaia?
O império sabia que não, mas presidente López insistia que sim, sem demonstrar a razão que o levou a assim proceder.
Como encontrou sérias e justas razões postas pelos diplomatas brasileiros, que contrariavam as pretensões do presidente, resolveu propor que ao menos fossem aquelas terras colocadas como neutras, sem ocupação por uma ou outra parte. A questão ficou em estudo, sem solução. Mas López insistia!
Presidente López tinha em mira a navegação segura, sem percalço, até o forte Olimpo. Se as terras entre o Apa e o Branco fossem, como eram, brasileiras, essa navegação poderia ser vigiada, como fazia no trecho do rio que atravessava seu território. Se neutras, sem ocupação, ou paraguaias, a navegação seria livre, como queria o presidente. Essa foi a razão da destruição dos alicerces do forte de Fecho dos Morros, em 1850. Se construído, cercearia a navegação do rio, tornando vulnerável o forte Olimpo, colocado entre os fortes de Fecho dos Morros e o de Coimbra.
Como os López sempre pensaram em guerra, jamais abririam mão das terras entre o Apa e o Branco, mesmo sabendo que não lhes pertenciam de direito.
Presidente Carlos López tinha consciência de que aquelas terras não eram paraguaias, escrevendo em 1852 a seu ministro plenipotenciário Moreira de Castro: ...no tocante ao território da direita do Apa só peço neutralidade, não propriedade nem possessão dum palmo de terra...
Com essas palavras, que estão nos arquivos paraguaios, tudo fica esclarecido, embora a tradição oral, propositalmente mal conduzida, as desconheça.
Noutro lado, na bacia hidrográfica do Paraná, a proposição de Gelly, em 1847, no Rio de Janeiro, pro limite territorial, era na cumeada da serra de Maracaju, desde o salto de 7 Quedas até as vertentes do rio Branco, nesse caso incorrendo no erro de situar as vertentes do Branco na dita serra, quando ele nasce dali a mais de 100km (na serra de Bodoquena). Mas a divisa seria (bom repetir) na cumeada da serra.
Sumariando:
Presidente López propunha a divisa no rio Branco, na bacia do rio Paraguai, dizendo que ele nascia (não nasce) na serra de Maracaju.
O presidente propunha que, não aceita a divisa no Branco, fosse a área entre o Branco e o Apa posta como terra neutra (pelas razões que expusemos).
Do lado da bacia do Paraná a divisa correria na cumeada da serra de Maracaju (ou Amambai) a partir do salto de 7 Quedas (desaparecido).
Tudo acontecido em 1847.
Mais tarde veremos como tudo isso foi modificado pelos López!
Em 1852 o representante paraguaio Moreira de Castro (português de nascimento) esteve no Rio de Janeiro pra tratar dos limites e doutros assuntos relativos ao tratado de 1850.
Moreira de Castro refazia a proposta de Juan Gelly, de 1847, isto é, as divisas ao norte de seu país seriam no rio Branco ou, na melhor das hipóteses, fosse transformado o território entre o Branco e o Apa num território neutro. Repetição do proposto por Gelly.
O gabinete imperial mais uma vez recusou a proposição paraguaia, fato que levou Moreira de Castro escrever, a seu presidente, que o assunto só se resolveria pelo feliz resultado duma guerra contra o Brasil. Carlos López respondeu: A república do Paraguai não quer guerra contra alguém. Muito menos contra o império do Brasil. Mas não está disposta a sempre tolerar o roubo e os assaltos que fazem as tribos selvagens que o Brasil mantém no território contestado [...] e no tocante ao território da direita do Apa, só peço neutralidade, não propriedade nem possessão, mesmo dum palmo de terra... [Assunto já tratado].
Os índios guaicurus, embora sempre provocassem destruição em território paraguaio desde remotos tempos, seriam apenas uma desculpa de López pra neutralizar o território, porque, na verdade, conforme já dissemos, era a navegação do rio Paraguai até o forte Olimpo sua grande preocupação! Queria uma navegação livre, sem vigília brasileira!
Tanto Moreira de Castro insistiu neutralizar o território, que o gabinete imperial se dispusera a neutralizar uma faixa entre os rios, conforme disse a Carlos López seu representante Moreira de Castro: Após repetidas entrevistas o ministro brasileiro se mostrou disposto a neutralizar uma zona entre o Apa e o Branco. Chegado, portanto, o momento de prolongar a discussão, mas Carlos López chamou Moreira de Castro de retorno. Se estava obtendo bom resultado, por que não continuar a discussão com o gabinete imperial?
Vencido o grande inimigo do Paraguai, ditador Rosas, da Argentina, em 1852, Carlos López não mais precisando do seu protetor, o império do Brasil, procuraria, doravante, dificultar o entendimento com o gabinete imperial, tanto que devolveu as credenciais do embaixador brasileiro Pereira Leal, em Assunção, por motivos de somenos importância, tão logo chegara do Rio de Janeiro seu representante Moreira de Castro! Talvez nisso residisse o retorno desse seu representante sem discutir a neutralização da faixa entre o Apa e o Branco, em via de ser acertada com o ministro brasileiro de estrangeiro.
Então estava na Europa o filho mais velho de Carlos López, general Francisco Solano López, jovem ainda, fazendo compra de armamento e contratando técnico pra levantar a usina de Ibicuí, o arsenal de Assunção e outras obras, como o telégrafo e uma ferrovia, de vista voltada a uma guerra contra os vizinhos, conforme entrevista que concedeu ao jornal La tribuna, de Buenos Aires, em 1856.
Portanto houve razão pra que as missões brasileiras no Paraguai, pra tratar de limite, não tivessem sucesso. Uma carta do ex-ministro de estrangeiro, Paulino José de Sousa, com quem Moreira de Castro tratara a neutralização do citado território, explicou tudo. Vejamos o que disse a visconde do Rio Branco:
Conversando há dias com senhor Calderón de La Barca, que foi muitos anos diplomata, e ultimamente ministro de negócio estrangeiro na Espanha, e recaindo a conversação sobre as antigas colônias espanholas do sul da América, especialmente sobre o Paraguai, contou que, sendo ministro, aparecera em Madri e se lhe apresentara dom Francisco Solano López, filho do presidente daquela república, quem lhe pedira o reconhecimento da independência e lhe propusera um tratado no qual punha uma condição e seria que a Espanha assegurasse ao Paraguai os limites pretendidos e decidisse a questão com o Brasil. Senhor Calderón apresentou essa proposta como um bom exemplo da ignorância paraguaia em assuntos internacionais e da presunção com que, em troca de suas importantes relações, além de seu reconhecimento (da independência) punha uma condição tão insólita. Porém refiro a V. Exa. este caso, como mais uma prova da muito pensada relutância de presidente López em resolver conosco a questão de limite de modo diverso daquele pelo qual teima decidir.
O que dizer?
Excertos tirados do livro em preparo De Francia a Solano López
Correio do Estado
Campo Grande, Mato Grosso do Sul
Sexta-feira, 10.10.1997 e sábado-domingo, 18-19.10.1997

domingo, 21 de dezembro de 2014

CSI Campo Grande 5 - O caso das piadas de português
Episódio 5
O caso das piadas de português
Texto de Mário Jorge Lailla Vargas
1
Se é, sai. Se não é, não sai
O CSI Campo Grande foi concebido pra investigar casos que os outros órgãos têm vergonha de investigar. Por isso a agência foi acionada pra desvendar o estranho caso das piadas de português.
A uma semana dum encontro mundial de criminalística uma série de espãs com piadas de português começou a grassar nos meios afins. Isso causou muita preocupação nos organizadores do evento, pois as piadas causariam mal-estar com nossos patrícios.
Por sorte a agência não ficou desfalcada com a saída de Miro, transferido ao CSI Natal, porque se engraçou cuma loura potiguar em suas andanças topográficas no Rio Grande do Norte e se mandou de mala-e-cuia. Assumiu a chefia Cláudio Manuel, o rei do micro, que já foi de tudo, até madeireiro, assim podendo dar mais versatilidade à puída, maltrapilha e esfarrapada agência. E no lugar de Lígia entrou Ramão Pontes, eficiente ajudante de pai-de-santo, pra não desguarnecer o lado místico-parapsicológico das investigações.
A coisa estava tão feia, que até o CSI Campo Grande recebeu uma gozação:
— Sabes como se chama o CSI Coimbra? Se é, sai. Se não é, não sai.
Cláudio telefonou a Mário, consultor honorário interino improvisado:
— Ô, cara. Provei um lote do lote de hidromel, que acabou de maturar aqui, e tava tão bom. Tomei um pileque. Vás adiantando lá.
Quando Mário tocou a campainha soou uma voz:
— A senha!
— O marajá de Aracaju manda já lingüiça de Maracaju com carne de maracajá e suco de maracujá.
O pessoal reunido na roda-de-tereré. Gláuder chegou de Ponta Porã pra ver uns negócios. Estavam discutindo essa verdadeira instituição nacional que é a piada de português. Gláuder metia o pau e quase monopolizava o tema. Quase, porque Ramão é outro páreo duro. Ramão disse:
— Vejamos o que Mário tem a dizer. Gláuder disse que as piadas nasceram porque os portugas são burros mesmo, o que é um evidente absurdo.
— Ramão está certo. A origem do anedotário é mais uma conspiração maçônica. Pra demolir o império dos países católicos, instigaram as independências. Aqui, como somos muito achegados ao colonizador, instigaram as piadas como forma de o ridicularizar. E caímos nessa feito patinhos, em vez de manter uma comunidade ultramarina, como a britânica.
— Quer dizer que as piadas são mais uma conspiração? — Ciro arregalou os olhos. — Então devemos mesmo proibir as piadas?
— São. Mas pra anular a conspiração temos de contar piadas inteligentes e esquecer as ofensivas, pois proibir é outra conspiração.
— Caramba! Que o negócio é enrolado!
Lígia mostrou o relatório do CSI Ponta Porã:
— No mês passado teve o encontro criminalístico mundial em Assunção. Um canal de tevê brasileiro entrevistou um criminalista lusitano. Mal o luso disse estar contente de publicar novas técnicas e outras a ser discutidas no encontro, apareceu um sujeito, evidentemente disfarçado, barba muito negra e espessa e óculos escuros, fazendo bem o estereótipo do espião nos cartuns humorísticos, e disse ser preciso traduzir o português lusitano ao brasileiro: Que o entrevistado disse que queria era ir logo ao encontro no Brasil, pra ver muita mulata e carnaval, mas que sua mulher não pode ver a entrevista. Pensamos que seria um daqueles quadros de câmera escondida tipo topa-tudo mas soubemos que não, e nas fitas gravadas do evento não mais se localizou o misterioso sujeito.
— Ciro tem uma suspeita, pois tem uma correspondente lusitana, Raquel, que detesta brasileiros. — Disse Gláuder.
— Bom... Pois é... Ontem falei com Eugénia, do CSI Vila Real, confirmando que o Se é, sai. Se não é, não sai foi mandado por Raquel.
— Muito estranho. Pela lógica Raquel mandaria como piada de brasileiro. Então, Ciro, conversemos com Raquel em conferência a três. — Disse Mário.
Ficou combinado pro fim de tarde a conferência. Disse Ciro.
— Mas vejas se não ficas ouvindo Agnetha a todo volume. Assim não ouves tocar o telefone.
2
Em mares nem por Dante navegados
A conferência começou no fim de tarde. Ciro apresentou Raquel.
— Pois é, Mário. Raquel é a portuguesa que não gosta de brasileiro.
Conversa vai, conversa vem. O papo se encaminhou às inevitáveis piadas.
— Cê sabe, né?, Mário. Lá eles dão o troco. Contam muita piada de brasileiro.
— Então contes uma, Raquel.
Assim, sem querer, começou uma disputa meio repentista.
A mãe de Zé o mandou comprar água oxigenada, 30 volumes, cremosa. Zé arranjou uma caixa de papelão, catou na prateleira 30 frasquinhos de 100ml de água oxigenada. Como não tinha da cremosa comprou um pote de chantili.
A caixa de supermercado Manuela barrou o comprador.
— Mas como? Só tem três itens aqui!
— Senhor, este é um caixa rápido, máximo 10 volumes. Só este tubinho de água oxigenada tem 20 volumes!
Ciro gritou:
— Mário 1×0!
Por que o Brasil está devastando tanto a Amazônia? As toras de madeira estão estocadas pra largar na frente na pesquisa de células-tronco.
Por que o Brasil foi descoberto por um português? Porque só um português procuraria a Ásia indo ao lado errado.
— Mário 2×0!
Nesse instante foi se juntando uma turma ao redor das telas, formando torcida.
No domingo de flaflu no Maracanã fizeram um sorteio dum carro. O sorteado tinha de acertar uma pergunta.
— Qual é o maior oceano? Mar Morto. E o povo gritando:
— Dá mais uma chance! Dá mais uma chance!
— Qual é a capital de São Paulo?
— Olinda.
— Dá mais uma chance! Dá mais uma chance!
— Última chance: Quanto é 2+2?
— 4
E o povo, em uníssono:
— Dá mais uma chance! Dá mais uma chance!
O portuga comprou na loja, no valor de 150 escudos e optou pagar em 3 vezes. Tirou uma nota de 50 escudos.
— Esta é a entrada.
Mais duas notas de 50.
— Esta é pra depositaire no mês que vem. A outra no mês seguinte. Ai, Jesus! Não vás depositaire antes!
— Mário 3×0!
Num acidente aeronáutico em Brasília morreram todos os passageiros. No ano seguinte foi anunciado que dobrou o número de mortos. Foi porque fizeram a reconstituição do acidente.
Morreu o patriarca da família. Todos se juntaram e decidiram comprar um casaco pra ficar apresentável no funeral. Fizeram uma vaquinha e Manuel ficou encarregado de comprar. Todo mês chegava a parcela da compra. Depois de trinta anos os irmãos reclamaram:
— Ô, Manuel! A pesada prestação nunca acaba! Mas que raio de casaco caro aquele pra enterrar papai! Acaso era bordado a ouro?
— Não comprei. Como estava muito caro compensava alugar.
— Mário 4×0!
No Rio de Janeiro o policial disse ao ajudante:
— O bandido fugiu. Não mandei fechar todas as saídas?
— Fechei. Mas fugiu via entrada.
O portuga telefonou à TAP e perguntou:
— Quanto tempo dura a viagem Rio-Lisboa?
— Ã... Deixes ver... Um minuto...
— Muito obrigado!
— Mário 5×0!
Zé não quis entrar na loja. Negociou na calçada mesmo. O vendedor estranhou, mas como tem comprador excêntrico, tudo bem. Pagou três vezes o valor do produto. O vendedor achou que seria um rico excêntrico que fez questão de dar uma boa gorjeta ao bom atendimento. 3 é número cabalístico. Vai ver que fazendo tudo triplo dá sorte.
Noutro dia o comprador entrou na loja e comprou normalmente. O vendedor estranhou e perguntou o motivo da diferença.
— Ô!, mano. Naquele dia tinha uma placa dizendo que era só hoje, pagando em 3 vezes sem entrada.
Manoel ficou preso numa cela diante da dum leproso.  Dia após dia observava o leproso cuidando das feridas.  Até que caiu um dedo do leproso, que o pegou e o atirou na janela. Uma semana depois caiu outro dedo. O leproso o atirou na janela.  Algum tempo depois caiu uma orelha. O leproso a atirou na janela.  Uma semana depois caiu o pé. O leproso o atirou na janela.
 Manoel não agüentou mais e pediu uma audiência com o diretor.
 — Olhes, senhor diretor, não quero ser chamado de dedo-duro, mas o gajo que está na cela diante da minha está fugindo aos pouquinhos.
— Mário 6×0!
Quando Deus fez o mundo foi dividindo os países. Quando fez o Brasil o anjo ajudante ficou admirado:
— Um país tão grande, quase todo tropical. Não tem deserto, furacão, terremoto, vulcão nem geleira. Cheio de rio e floresta. Isso é um paraíso!
— Não é uma beleza? A região geológica mais estável do mundo. Será aqui o jardim do Éden.
E saiu saltitando e cantarolando, todo contente.
O anjo viu o Diabo espiando, com cara de pícaro.
— Ai ai ai!, seu Diabo. Tens a fama de estragar tudo quanto é paraíso. O que aprontarás agora? Soltar uma cobra lá?
O Diabo deu uma risota debochada e disse:
— Esperes pra ver o povinho que colocarei ali!
Por que em Portugal as piadas são contadas na sexta? Pra rirem na segunda.
— Mário 7×0!
Grrrrrr!
Qual é o maior erro de português? Brasil. E não é Brazil!
Por que os portugueses são tão burros? Foi a única maneira de os fazer gostar dos brasileiros.
Taí, Raquel, o gol de honra.
— Mário 8×1!
Então Raquel, irritada com a patriotada de Ciro, decidiu encerrar a disputa.
A torcida pegou uma cadeira e deu umas voltas com Mário sentado nela no alto, num rompante de apoteose olímpica. Logo mais disse:
— Tiro Raquel de minha lista de suspeito. Seu humor é meio recalcado, azedo. Bem diferente do humor gaiato de nosso procurado. Raquel não tem piada de sua autoria. Sempre piada que ouviu ou leu.
3
Sem deixar vestígio
No dia seguinte Mário chegou e entrou após declamar a senha:
— Tive um piti depois do tititi que no Haiti, no Taiti e na lenda do Paititi não tinha tucupi, tipiti nem tepurati, disse o mitaí tepoti.
O pessoal no maior papo na roda-de-tereré. Imagines Gláuder, Ramão e Claudião juntos. Pra Mário e Ciro era mais ouvir que falar. Imperdível. Ramão:
— ...Um amigo meu, que é de lá, disse que Israel e os palestinos não querem a paz porque entra muito dinheiro nos dois lados.
...Cláudio:
— Na escola e nos documentários contam o fim da fase áurea da borracha como uma sacanagem das potências, roubando semente de seringueira e plantando tudo junto na Malásia. Mas não contam por quê fizeram isso. A seiva recolhida forma uma bola grande, que é cortada em tira numa máquina. Os brasileiros fraudavam a venda colocando pedra, o que danificava as máquinas. Então os borracheiros decidiram incentivar um produtor honesto.
Gláuder disse que um amigo tem uma teoria de por que as mulheres são chatas. Seria um fator evolutivo. Sendo chatas forçam o homem a sair do acomodo, se virar. No que Mário não concorda, pois acha que no caso humano esse estímulo é exagerado, atrapalhando em vez de ajudar a evolução.
— Vejam os portugueses, por exemplo. Se aventuraram em mares nunca antes navegados atrás do caminho das índias e depois do caminho das negras, pra fugir das mulheres portuguesas, verdadeiras megeras.
— Ai! Lá vem Glaudão com seus estereótipos!
...Cláudio:
— Falam que os africanos vendiam seus opositores como escravos. Mentira! A história não conta que os portugueses usaram aimorés como mercenários pra caçar negros na costa africana.
Cláudio confessou que sobre o autor das pegadinhas não há vestígio.
— Estamos no mato sem cachorro nem gato! Não temos pista. E o que é pior: Uma consulta ao Ichingue revelou que não há vestígio material. Só falta o meliante ser um piloto de disco voador!
Ramão disse que na próxima sessão perguntaria a seu Carangá se tem pista pro caso, olhando na tigela com água cheia de conchinha, que funciona como bola-de-cristal.
— Já que carecemos de estrutura, dada a pouca verba pelo tradicional e nacional descaso das autoridades, temos de nos apegar ao misticismo.
Com a internete fora do ar, pois por falta de verba cortaram a linha de novo, Lígia sugeriu conexão espírita. Gláuder disse:
— Teoricamente se pode fazer uma sessão espírita conectada com outras, de modo análogo à internete. Seria tipo uma psico-conferência.
Assim se estabeleceu uma espécie de sincretismo do espiritismo cardecista de Lígia com o afro de Ramão. O conflito era que  Lígia tinha de pôr todos de mãos dadas no escuro e Ramão acender umas velas no chão, de três a três dispostas em triângulo. Mas enfim chegaram a um meio-termo após gentilmente expulsar Gláuder, pois como cético cientificista empedernido e admirador de padre Quevedo, dava curto-circuito em toda rede de inconsciente coletivo. Por isso já foi expulso e barrado em centros algumas vezes. Mário:
— Se não é um álien, então será Gasparzinho?
— Quieto! Se tirar sarro, os espíritos não vêm.
Assim conseguiram fazer uma busca numa espécie de Gugol do Além, os registros acáchicos. Lígia estremeceu e desmaiou. Antes de voltar a Ponta Porã fez um relatório sobre a tênue pista, que antes de ser lido foi roubado.
Mas na pressa o ladrão deixou o final do relatório, poucas linhas no começo da página. Mário:
— Mas que doideira! A pista psíquica aponta direto à casa e ao salão de Cleusa.
— A cabeleireira minha amiga! — Ramão disse — Ninguém lá é do tipo intelectual, capaz de fazer essas brincadeiras.
4
O que está encima é igual ao que está embaixo
Cláudio disse que foi ao salão pra falar com Cleusa.
— Disse que nem tinha idéia do que acontecia. Não estava mentindo. Tenho experiência nessas coisas. Mas o contador-fantasma, enviado pelo CSI Maiame, rastreou direto a sua casa. A menos que a casa esteja muito assombrada...
— Mas esse trambolho é confiável?
— Claro. Tecnologia desenvolvida logo após o filme Os caça-fantasma. Rastreia partículas subatômicas que são perturbações das ondas de pensamento.
Ficou olhando, desolado, o que seria um aspirador-de-pó mas era um contador-gáiguer pra rastrear fantasma, e se retirou, coçando a orelha.
Mário foi falar com Ramão num canto reservado.
— Não pedirias pra seu Carangá ver na taça dágua uma pista?
— É que... que... Tinha muita gente pra ser atendida, e quando eu ia falar, depois dum ponto-de-fogo, não deu mais.
— Confesses. É por isso que ficaste enrolando. E foste quem roubou o relatório. É seu Carangá o autor das piadas!
— Imagina! Seu Carangá é analfabeto!
— Mas gosta de brincar!
— Temos de o proteger. É nosso amigo.
— Na segunda terá sessão. Conversemos consigo.
Cláudio voltou cuma folha de papel na mão.
— Mas com os mil diabos! Estamos no ano mundial do 1º de abril? Rodei o programa GhostTrack 4.7, enviado pelo CSI Lasvegas, e imprimiu um retrato-falado do suspeito. É um preto-velho! É muita gozação!
No meio da tarde da segunda-feira foram à sessão. Endereço difícil de achar, já que não tem número na fachada. Deve ser pra despistar os maus espíritos. Na esquina oposta, vigiando dentro dum furgão de vidraça escura, Cláudio esperava surgir alguém que se enquadre ao retrato-falado.
Já no meio da noite Mário e Ramão saíram, rindo como dois bêbados. E Cláudio ali.
— Seu Carangá é o exu mais gente-fina. Um amigão.
— E muito brincalhão.
— As entidades são como as pessoas: Tem simpatia e antipatia, e todos os sentimentos humanos.
O que está encima é como o que está embaixo, o mais célebre provérbio da magia.
— E estava preocupado com a agência não ter o que investigar.
— Inacreditável que seja Cleusa quem incorpora.


sábado, 20 de dezembro de 2014

Na conexão acima baixar a pasta zipada do Photo editor, essa jóia de programinha que é uma beleza pra manipular figura, infelizmente excluído das versões pós XP.
Basta jogar um atalho do arquivo .exe na tela ou barra de tarefa.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Solucionar appcrash

Em meu caso não foi suficiente. Então:
Tinha erro, corrigiu. Mas ainda não resolveu

Se não funcionar, o seguinte faz ação complementar à conexão linque acima:
[equipo à computador]
Então foi resolvido o problema
Não sei se são necessários os procedimentos anteriores ou se o último é suficiente.


Interessante relato sobre monumentos a Guia Lopes e Antônio João no Pão-de-açúcar, Rio de Janeiro. Fascinante faceta desconhecida da história ou tipo histórias que não estão na história
Não resisti a comparar o guarda no parque de Medelim, que foi desfiando todo o histórico do monumento naquela praça. Parecia um professor. Que contraste com o carioca relatado na conexão acima!
Precisamos abandonar essa mentalidade tipo não babou está aprovado. Todas as profissões são importantes e merecem capacitação. Qualquer guardinha, mesmo um flanelinha, passa ao turista alguma imagem sobre a mentalidade local.
Era o agente quem deveria informar a turista:
— Vejas, moça: Ali tem um monumento muito interessante sobre nossa história. Aposto que não conheces.
A gente imagina se não fosse a Farc atrapalhando, como estaria o bem-estar colombiano. Mas, quem-sabe?, pode ser essa a causa. A guerrilha é algo que preocupa, angustia muito o colombiano. Talvez seja por causa desse fator de incerteza que o pessoal se una e se empenhe.
O Brasil é vítima de excesso de estabilidade, um filho mimado de Portugal. Estabilidade em demasia leva so comodismo e estagnação.
É o que aconteceu com a Bahia. De tão cantada e decantada virou aquela coisa bizarra mais pra Madonna que pra cultura popular. Foi só com árdua campanha de conscientização que se conseguiu descontaminar o carnaval corumbaense da praga pseudo-carnavalesca de trio-elétrico.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Quase pronto
Os dois hd já no limite foram pifando. Ambos em espelhamento, que não funcionou bem. Agora em vez de dois hd, dois computadores. Foi a melhor solução pra evitar perda de dado. Um pros trabalhos e outro pra internete e becape. Agora com Windows 7 e Office 2013.
Ainda sem condição de editar gibi e rodar OCR.
Os arquivos de correção ortográfica ficaram obsoletos, pois o sistema é diferente. Então estou sem o italiano. As macros, salvas em texto, foram coladas ao visual basic, como sempre. Até o dia que resolverem mudar isso também.
A trabalheira danada é apagar as auto-correções, uma a uma, em cada idioma (por enquanto português, castelhano e o maldito inglês). Obviamente optando por dicionário pré-reforma.
Gostaria de saber quem teve a idéia de jerico de pôr esse monte de auto-correção pra secretária burra. Deve ter algum problema mental. No castelhano são muuuuuiiiiiitas. São substituições automáticas enquanto se datilografa. Assim fizeram uma lista de miríade de erros de datilografia a serem substituídos imediatamente: qeu à que, iso à isso...
Por exemplo: Se datilografar (Não é digitar, como erroneamente dizem. Digitar é só cum dedo na tecla numérica) iso imediatamente é trocado por isso. Assim pode ocorrer de se escrever o nome duma cidade ou personagem antigo, Qeu, (sigla ou fórmula matemática, etc) e não perceber que foi automaticamente trocado pelo supostamente correto e ter um trabalho todo irremediavelmente estragado por essa auto-correção estúpida. E são muitas as palavras que podem causar dano na substituição. Há até palavras que existem e são trocadas! No castelhano até frases corrigindo gramática! Um absurdo!
É uma burrice muito grande, pois essa auto-correção forçada poderia ser editável, salvável em texto, como a macro, poderia ser marcável e desmarcável ou simplesmente oferecida como macro, sendo rodada quando o autor quiser, se quiser.
Quero oferecer o troféu Burro ao cara que teve a burríssima idéia de fazer essa longa e tediosa lista, ainda mais de forma não-editável.
O Windows 7 é excelente, rápido e cheio de facilidade. As poucas perdas em relação ao XP compensam amplamente a mudança. Pena que o excesso de segurança atrapalhe tanto.
Não se pode mais pôr atalho de endereço na tela e não pode jogar arquivo no C raiz. Péssimo.
A forma de arrastar arquivo a diretório ficou prejudicada, embora o manejo de acesso melhorara.
No Word 2010 a letra sombreada foi remanejada. No capitular a sombra, que era bem destacada do XP, ficou quase nula. Control-L virou outra coisa. A prévia ficou prejudicada, tendo de usar o zum em seu lugar.

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