2010 - Che Guavira - sítio literário

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

terça-feira, 28 de dezembro de 2010


Relatório 1
do enviado especial XYZ ao planeta 3
Em missão urgente buscando inteligência
a dom Piqwỹ Lagarrr Urraur nã-Ữluarurr
Governador-geral do sistema Altair
Durante milênios os seres deste planetinha mixuruca lutaram pra ter comida e sossego. Após tantos milênios fizeram máquinas e uma tecnologia especial pra ter tempo livre pra lazer, cultura, ócio e uma produção abundante de alimento. Como começaram a engordar passaram a rejeitar o alimento, fazer regime de todo tipo e comer porcaria.
Então criaram o que chamam academia: Um lugar onde ficam se exercitando de forma nada produtiva, e pagam caro pra isso. Ali se exercitam levantando e abaixando peso sem necessidade de transportar, correndo numa esteira sem sair do lugar e outros tantos exercícios sem nexo. Tudo isso sem prazer nem produtividade, desperdiçando energia e encurtando a vida.
Pagaram caro pra criar a tecnologia pra ficar ociosos e agora pagam caro pra que uma academia os livre do ócio!
Por que não o fazem ao ar livre, por conta própria, sem pagar, não sei. Talvez alguma superstição os sujeite a crer que a academia tem alguma mágica especial.
O que pensar de quem levanta e abaixa seguidamente o mesmo peso, que não é um cântaro de água, uma caça, um feixe de lenha nem uma cesta de fruta a levar ao lar? Que corre sem ter de ir a algum lugar nem ter de fugir do inimigo ou da polícia? Que crê que assim emagrecerá sem parar de aumentar a ingestão de alimento? E que faz tantas coisas que o fazem as máquinas criadas pra fazer em seu lugar?
Não consegui explicação pra esse estranho comportamento, pois, paradoxalmente, os entrevistados disseram que toda essa atividade faz bem à saúde.
Tanto exercício os leva a reforçar a alimentação, o que os faz redobrar o exercício pra não engordar. E assim, num ciclo vicioso...
Continuarei procurando sinal de vida inteligente no planeta 3.
Informe 1
del enviado especial XYZ al planeta 3
En misión urgente buscando inteligencia
a don Piqwỹ Lagarrr Urraur nã-Ữluarurr
Gobernador-general del sistema Altair
Durante milenios los seres de este planetita pequeñusco lucharon para tener comida y sosiego. Después de tantos milenios hicieron máquinas e una tecnología especial pera tener tiempo libre para disfrute, cultura, ocio y una producción abundante de alimento. Como empezaron a engordar pasaron a rehusar el alimento, hacer régimen de toda clase y comer porquería.
Entonces criaron lo que llaman academia: Un lugar donde quedan se ejercitando de forma nada productiva, y pagan caro para eso. Allá se ejercitan levantando e bajando peso sin necesidad de transportar, corriendo en una estera sin salir del lugar y otros tantos ejercicios sin nexo. Todo eso sin placer ni productividad, desperdiciando energía e abreviando la vida.
Pagaron caro para criar la tecnología para quedar ociosos y ahora pagan caro para que una academia los libre del ocio!
Por que no lo hacen al aire libre, por cuenta propia, sin pagar, no sé. Tal vez alguna superstición los sujete a creer que a academia tiene alguna mágica especial.
Qué pensar de quien levanta e baja seguidamente el mismo peso, que no es un cántaro de agua, una caza, un feje de leña ni una cesta de fruta a levar al hogar? Que corre sin tener de ir a algún lugar ni tener de huir del enemigo o de la policía? Que cree que así adelgazará sin parar de aumentar la ingestión de alimento? Y que hace tantas cosas que lo hacen las máquinas criadas para hacer en su lugar?
No conseguí explicación para ese extraño comportamiento, pues, paradojalmente, los entrevistados dijeron que toda esa actividad hace bien a la salud.
Tanto ejercicio los lleva a reforzar la alimentación, lo que los hace redoblar el ejercicio para no engordar. Y así, nun ciclo vicioso...
Continuaré procurando sinal de vida inteligente en el planeta 3.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

c  o  n  t  o          c  u  e  n  t  o

Nenhum navegador se tornou tão lendário, empolgou tanto a mente juvenil e foi envolto em tanta estória quanto Isnard Dransi.
Ora retratado como pirata, ora como heróico inimigo deles, teve sempre a imagem de genial embusteiro, ardiloso e blefador inspirado.
A Virgélia, esse continental arquipélago, denso emaranhado de ilha no centro do oceano Profundo, é o cenário de sua aventura. Suas enigmáticas rotas sempre acompanhadas de descrição e relato inverossímil encantaram milhões de leitores.
E o tesouro.
Ora retratado como pirata, ora como heroico enemigo de ellos, tuvo siempre a imagen de genial embustero, ardiloso y blefador inspirado.
La Virgelia, ese continental archipiélago, denso enmarañado de isla en el centro del océano Profundo, es el escenario de su aventura. Sus enigmáticas rutas siempre acompañadas de descripción y relato inverosímil encantaron millones de lectores.
Y el tesoro.
Comerciante hábil, salteador feroz, entesourador dissimulado, Isnard Dransi, a raposa-do-mar, teria seu tesouro enterrado nalguma das inumeráveis ilhas da Virgélia.
Conta a lenda que Isnard Dransi descobriu a Virgélia antes dos descobridores navegantes nerlandeses. Em seu castelo, na ilha Fulda, recebeu o velho sábio Lisançõ, refugiado da Eródia, que passava grande parte do dia estudando as ondas do mar e, eventualmente, as noites também. Comparando com os estudos que fizera antes em seu país, fez uma descoberta que revelou a Isnard e pediu que guardasse em sua biblioteca as anotações.
Ningún navegador se tornó tan leyendario, excitó tanto la mente juvenil y fue involucrado en tanto cuento cuanto Isnard Dransi.
Comerciante hábil, salteador feroz, entesorador disimulado, Isnard Dransi, la raposa-del-mar, tendría su tesoro enterrado en alguna de las innumerables islas de Virgelia.
Cuenta la leyenda que Isnard Dransi descubrió la Virgelia antes de los descubridores navegantes nerlandeses. En su castillo en la isla Fulda recibió el viejo sabio Lisançõ, refugiado de la Erodia, que pasaba grande parte del día estudiando las olas del mar y, eventualmente, las noches también. Comparando con los estudios que hiciera antes en su país, hizo una descubierta que reveló a Isnard y pidió que guardase en su biblioteca las anotaciones.
Insignificantes perturbações da onda marinha indicavam a existência duma massa de terra muito longe no oceano. Algo análogo à perturbação da órbita dum planeta pela proximidade duma massa significativa, indicando a existência dum planeta a descobrir.
Isnard viu, estupefato, Lisançõ colocar engenhocas na arrebentação, pequenas cadeiras de mola, que registravam essas insignificantes variações do comportamento ondular. Lisançõ chegava a ficar de olhos esbugalhados com tanta empolgação, o que significa que sua teoria se confirmava.
Estória que cai no domínio da lenda, já que não há registro de ter Lisançõ se refugiado na Nerlândia. E mais: Isnard Dransi é um pseudônimo ou pura invenção, já que não existe comprovação da existência dessa personagem.
Insignificantes perturbaciones de la ola marina indicaban la existencia de una masa de tierra muy lejos en el océano. Algo análogo a la perturbación de la órbita de un planeta por la proximidad de una masa significativa, indicando la existencia de un planeta a descubrir.
Isnard vio, estupefacto, Lisançõ colocar ingenios en la reventazón, pequeñas caderas de mola, que registraban esas insignificantes variaciones del comportamiento ondular. Lisançõ llegaba a quedar de ojos saltados con tanta excitación, lo que significa que su teoría se confirmaba.
Cuento que cae en el dominio de la leyenda, ya que no hay registro de tener Lisançõ se refugiado en Nerlandia. Y más: Isnard Dransi es un pseudónimo o pura invención, ya que no existe comprobación de la existencia de esa personaje.
Em que ilha estaria o tesouro de Isnard Dransi? Em seis ilhas, segundo o historiador delinglês Loroaldo Estiral.
Numa grande embocadura da grande (grande pro padrão da Virgélia) ilha Isdra (primeira sílaba de Isnard e de Dransi) fica um arquipélago de pequenas ilhas muito juntas, formado por cerca de vinte ilhas, as ilhas Mariauá. As únicas ilhas que começam com as letras que formam o nome Isnard (ou Dransi, dá no mesmo, posto que o par Dransi e Isnard é um palíndromo) se distribuem numa seqüência um pouco costurada ligando um extremo a outro. Essas seis ilhas se estendem numa faixa nordeste ou sudoeste. Pra percorrer a faixa nordeste começamos pela ilha Iauai (a extremo sudoeste). A seguinte é a ilha Sinimara, depois a menor, Nanica. Em seguida Abujamara, Rancatanga e, enfim, Donescal (a extremo nordeste). Dransi é Isnard invertido, portando Isnard Dransi é o código que indica as ilhas tanto na ida quanto na volta!
¿En que isla estaría el tesoro de Isnard Dransi? En seis islas, según el historiador delinglés Loroaldo Estiral.
En una grande embocadura de la grande (grande para el padrón de Virgelia) isla Isdra (primera sílaba de Isnard y de Dransi) está un archipiélago de pequeñas islas muy juntas, formado por cerca de veinte islas, las islas Mariauá. Las únicas islas que empiezan con las letras que forman el nombre Isnard (ou Dransi, es lo mismo, puesto que la pareja Dransi y Isnard es un palíndromo) se distribuyen en una secuencia un poco costurada ligando un extremo a otro. Esas seis islas se extienden en una cinta nordeste o sudoeste. Para recurrir la cinta nordeste empezamos por la isla Iauai (a extremo sudoeste). La siguiente es la isla Sinimara, después la menor, Nanica. En seguida Abujamara, Rancatanga y, en fin, Donescal (a extremo nordeste). Dransi es Isnard invertido, portando ¡Isnard Dransi es el código que indica las islas tanto en la ida como en la vuelta!
Loroaldo visitou aquelas paragens pra completar sua teoria e o espantou o tanto que sua aventurada tese parecia ser exata. Estudou detalhadamente os locais que tinham vestígio de ter ali sido enterrado algum tesouro e indícios vários de atividade de navegadores esquivos. A vegetação é luxuriante e a topografia acidentada, o que torna as ilhas muito adequadas a camuflagem de pequena comunidade de homens sempre alertas.
Loroaldo visitó aquellas parajes para completar su teoría y lo espantó lo mucho que su aventurada tese parecía ser exacta. Estudió detalladamente los sitios que tenían vestigio de allí haber sido enterrado algún tesoro y indicios varios de actividad de navegadores esquivos. La vegetación es lujuriante y a topografía accidentada, lo que torna las islas muy adecuadas a camuflaje de pequeña comunidad de hombres siempre alertas.
Logo que publicou seu estudo um cineasta se interessou em fazer um filme baseado no livro. Loroaldo aceitou a proposta e deixou o cineasta fazer o filme livremente, desde que pusesse como subtítulo baseado em... O filme seria rodado no local, pois o cenário em geral sairia mais barato, na ocasião, filmado no próprio local, que forjado. Além do mais o cineasta tinha pretensão a semidocumentário. Loroaldo é um historiador mas também gosta muito de ficção.
A ficção, disse ele, é uma forma importante de se inspirar pra solucionar a realidade. Os que desprezam a ficção são tão estúpidos quanto os que desprezam a realidade. Afinal a história está recheada de ficção assim como muita ficção é baseada em história.
Luego que publicó sus estudios un cineasta se interesó en hacer una película basada en el libro. Loroaldo aceptó la propuesta y dejó el cineasta libremente hacer la película, desde que pusiese como subtítulo basado en... La película sería rodada en el sitio, pues el escenario en general saldría más barato, en la ocasión, filmado en el propio local, que forjado. A más de que el cineasta tenía pretensión de semidocumentario. Loroaldo es un historiador pero también le gusta mucho la ficción.
La ficción, dijo él, es una forma importante de se inspirar para solucionar la realidad. Los que desprecian la ficción son tan estúpidos cuanto los que desprecian la realidad. A final la historia está rellena de ficción así como mucha ficción es basada en historia.
Acompanhou atentamente o desenrolar da filmagem. O ator Maurício Destemores fez o papel de Isnard Dransi, que chegara à ilha Isdra após uma estupenda presa. Acabaram de pilhar o famoso navio maltino Tiberinus com uma carga de incalculável tesouro em pedra, jóia, moeda e ouro bruto. O navio, que misteriosamente afundara na proximidade da Virgélia, segundo o filme foi pilhado por Isnard Dransi.
Acompañó atentamente el desarrollar de la grabación. El actor Mauricio Destemores hizo el papel de Isnard Dransi, que llegara a la isla Isdra después de una estupenda presa. Acabaron de pillar el famoso navío maltino Tiberinus con una carga de incalculable tesoro en piedra, joya, moneda y oro bruto. El navío, que misteriosamente tendría hundido en la proximidad de Virgelia, según la película fue pillado por Isnard Dransi.
Pra se precaver Isnard Dransi resolveu esconder o tesouro em partes. Escolheu, então, as seis ilhas que tinham nomes cujas iniciais coincidiam com o seu. Dividiu o tesouro em seis partes e foi enterrar cada uma numa dessas ilhas. Em cada uma das seis missões levou apenas um de seus homens de confiança. Assim, tendo como referência seu nome, poderia percorrer a seqüência insular onde estavam as partes do tesouro, começasse da primeira ou da última.
Para se precaver Isnard Dransi resolvió esconder el tesoro en partes. Eligió, entonces, las seis islas que tenían nombres cuyas iniciales coincidían con el suyo. Dividió el tesoro en seis partes y fue enterrar cada una en una de esas islas. En cada una de las seis misiones llevó apenas un de sus hombres de confianza. Así, teniendo como referencia su nombre, podría recurrir la secuencia insular donde estaban las partes del tesoro, tanto empezando de la primera como de la última.
A filmagem começou exatamente na data que o livro indica como a que seria a da chegada dos piratas à ilha Isdra. Os veleiros se aproximavam da Virgélia após a pilhagem quando uma tempestade repentina se formou e escureceu o céu. Na furiosa ventania subseqüente tanto os navios do filme quanto os barcos da equipe de produção foram arrastados à costa imediata da ilha Isdra. Ali altos montes, quase montanhas, serviam de barreira ao vento e as naves se viram, repentinamente, protegidas da tormenta. O fato espantou Loroaldo. O acidente poderia ter sucedido a Isnard Dransi, pensou. De fato. Pesquisando minuciosamente encontrou vestígio de ter sido aquele recanto, antes de esconderijo, um refúgio contra as tormentas, tão comuns naquela área. Numa grande pedra batida por onda na maré cheia encontrou uma inscrição em baixo relevo: Aqui agradecemos à deusa Britt. Britt, a deusa da tempestade!
La grabación empezó exactamente en la fecha que o libro indica como la que sería la de la llegada de los piratas a la isla Isdra. Los veleros se aproximaban de Virgelia después de la pillaje cuando una tempestad repentina se formó y oscureció el cielo. En el furioso ventarrón resultante tanto los navíos de la película cuanto los barcos de la equipe de producción fueron arrastrados a la costa inmediata de la isla Isdra. Allí altos montes, casi montañas, servían de barrera al viento y las naves se vieron, repentinamente, protegidas de la tormenta. El hecho espantó Loroaldo. El accidente tendría sucedido a Isnard Dransi, pensó. Realmente. Pesquisando minuciosamente encontró vestigio de haber sido aquel sitio, antes de escondrijo, un refugio contra las tormentas, tan comunes en aquella área. En una grande piedra batida por ola en la marea llena encontró una inscripción en bajo relieve: Aquí agradecemos a la diosa Britt. ¡Britt, la diosa de la tempestad!
Enquanto o filme prosseguia com cena da chegada, Loroaldo foi procurar o local onde teriam dormido os piratas. Num barranco uma pequena caverna cuja entrada estava escondida por cipó que descia do alto como se longa melena de meiga donzela, acessível por uma escada espiral cavada no chão e agora coberta de grama. A uns 25m diante da caverna passava um pequeno rio de forte e sonora corredeira pedregosa. Na caverna um arqueólogo imediatamente reconheceria indiscutível vestígio de presença de acampamento humano arqueologicamente recente, de há séculos.
Num compartimento contíguo a terra revolvida evidenciava algo que fora enterrado e poderia ainda ali estar. Tesouro não poderia ser, pois jamais se enterraria tesouro em lugar tão óbvio. A equipe desenterrou ali garrafas de aguardente muito bem lacradas.
En cuanto la película proseguía con escenas de la llegada, Loroaldo fue procurar el local donde podrían haber dormido los piratas. En un barranco una pequeña caverna cuya entrada estaba escondida por icipó que descendía del alto como se longa melena de meiga doncella, accesible por una escalera espiral cavada en el piso y ahora cubierta de grama. A unos 25m delante de la caverna pasaba un pequeño río de fuerte y sonora corredera pedregosa. En la caverna un arqueólogo inmediatamente reconocería indiscutible vestigio de presencia de campamento humano arqueológicamente reciente, de hasta siglos.
En un compartimiento contiguo la tierra revuelta evidenciaba algo que fuera enterrado y podría aún allí estar. Tesoro no podría ser, pues jamás se enterraría tesoro en lugar tan obvio. La equipe desenterró allí botellas de aguardiente muy bien lacradas.
Na terceira noite, descansando da filmagem, a equipe jantou, dançou e bebeu numa confraternização à luz de vela e lampião. Nessa ocasião o ator principal, Maurício Destemores, depois duns tragos a mais, num acesso de empolgação cênica, desembainhou a espada e a brandindo de ponta ao alto:
— Rápido! Aqui não é seguro. Fujamos pela cachoeira!
En la tercera noche, descansando de la grabación, la equipe cenó, danzó y bebió en una confraternización a la luz de vela y lampión. En esa ocasión el actor principal, Mauricio Destemores, después de unos tragos a más, en un acceso de excitación escénica, desenvainó la espada y la blandiendo de punta al alto:
— ¡Rápido. Aquí no es seguro. Huyamos por la catarata!
O que era aquilo? Delírio? Chalaça? Exercício de ator? Maurício não estava tomado pela personagem nem lera aquilo nalgum lugar. Explicara que aquilo lhe adviera como uma súbita inspiração.
Loroaldo nada sabia da cachoeira. Havia uma a uns 100m à direita da caverna mas nada se sabia sobre algo de especial que desempenhasse na epopéia dos piratas.
A cachoeira escondia um longo e estreito túnel que parecia ser uma nascente do rio e desembocava ali, junto à cachoeira. Molhando os pés ao passar naquela água rasa, numa penumbra silenciosa e com forte cheiro de limo, se chegava a uma cerrada mata que seria o refúgio seguro no caso do esconderijo ser descoberto. Mas tal parece nunca ter ocorrido.
¿Qué era aquello. Delirio. Broma. Ejercicio de actor? Mauricio no estaba tomado por el personaje ni leyera aquello en algún lugar. Explicara que aquello le vino como una súbita inspiración.
Loroaldo nada sabía de la catarata. Había una a unos 100m a la derecha de la caverna pero nada se sabía sobre algo de especial que desempeñase en la epopeya de los piratas.
La catarata escondía un extenso y estrecho túnel que parecía ser una naciente del río y desembocaba allí, junto a la catarata. Mojando los pies al pasar en aquella agua rasa, en una penumbra silenciosa y con fuerte olor de limo, se llegaba a una cerrada mata que sería el refugio seguro en el caso del escondrijo ser descubierto. Pero tal parece nunca haber ocurrido.
Nas noites seguintes o evento parecia ter se intensificado. Maurício se transmutara de ator em autor e os outros atores o seguiam numa encenação pirata, que fugia, divergia totalmente do roteiro. Maurício parecia tomado por louca inspiração, o roteiro original lhe parecia muito insosso se comparado ao que brotava da imaginação. Mas não pensai que era a personagem que tomava conta dele, que estava possuído, em delírio. Não. Quando o cineasta interrompia o delírio tudo voltava ao normal. Maurício e os outros atores passaram a se divertir nas horas de folga dando vazão a esse doce delírio. E o cineasta, tão experiente, que já aproveitara deixar filmando a tempestade, parecia, também, fascinado em filmar esse filme dentro do filme, seja pra documentário de bastidor, outro filme ou nova cena dentro do filme.
Maurício, o melhor ator do mundo, conseguira em tal intensidade vestir a pele da personagem que estava até mesmo proporcionando revelações autênticas sobre fatos desconhecidos por todos e conhecidos apenas por Isnard Dransi!
En las noches siguientes el evento parecía haber se intensificado. Mauricio se transmutara de actor en autor y los otros actores lo seguían en una representación pirata, que huía, divergía totalmente del guión cinematográfico. Mauricio parecía tomado por loca inspiración, el derrotero original le parecía demasiado insulso se comparado al que brotaba de la imaginación. Pero no pensad que era el personaje que tomaba cuenta de él, que estaba poseso, en delirio. No. Cuando el cineasta interrumpía el delirio todo volvía al normal. Mauricio y los otros actores pasaron a se divertir en las horas de huelga liberando ese dulce delirio. Y el cineasta, tan experimentado, que ya aprovechara dejar filmando la tempestad, parecía, también, fascinado en filmar ese película dentro del filme, sea para documentario de bastidor, otra película o nueva escena dentro de la película.
¡Mauricio, el mejor actor del mundo, consiguiera en tal intensidad vestir la piel del personaje que estaba hasta mismo proporcionando revelaciones auténticas sobre hechos desconocidos por todos y conocidos apenas por Isnard Dransi!
Dizia Maurício que seu velho hábito de relaxação e meditação é que o impedia de se deixar dominar totalmente pela personagem. Tantos atores são vítimas dessa caracterização demasiado intensa. Tantos atores que acabam tendo de fato os sintomas que representavam nalgum filme, por se acidentar tal qual a personagem que representavam, por acabar num asilo tendo assumido integralmente a personagem que fora tão marcante em sua carreira. Até morrer ao representar alguma cena de morto! São os mistérios de nossa mente, uma faceta fantástica da realidade, a força da auto-sugestão ou o que seja.
Decía Mauricio que su viejo hábito de relax y meditación es que lo impedía de se dejar dominar totalmente por el personaje. Tantos actores son víctimas de esa caracterización demasiado intensa. Tantos actores que acaban teniendo de verdad los síntomas que representaban en alguna película, por se accidentar tal cual el personaje que representaban, por acabar sus días en un asilo teniendo asumido integralmente el personaje que fuera tan importante en su carrera. ¡Hasta morir al representar alguna escena de muerto! Son los misterios de nuestra mente, una faceta fantástica de la realidad, la fuerza de la auto-sugestión o lo que sea.
Só uma coisa atemorizava Loroaldo: Maurício descobrir alguma parte do tesouro enterrado. O que adviria então? Lá-se-sabe se a equipe não se mataria, cada um tentando eliminar os outros e ter pra si a exclusiva posse do tesouro?! Todo conto de tesouro mostra esse evento inevitável: Quem obedece a ordem ou ajuda a enterrar é sempre eliminado, sejam quantos forem. Ninguém pode prever a reação das pessoas ante tão fabulosa descoberta. Por sorte é quase certo que o tesouro todo foi recuperado por Isnard Dransi ou quem quer que seja, pois tudo indica que houve um resgate completo.
O filme foi um sucesso. Ainda mais que ao mesmo tempo foi filmada a história do filme, com bastidor e tudo. Dois filmes num.
Sólo una cosa atemorizaba Loroaldo: Mauricio descubrir alguna parte del tesoro enterrado. ¿Qué sucedería entonces. ¡Va saber si la equipe no se mataría, cada un tentando eliminar los otros y tener para si la exclusiva pose del tesoro!? Todo cuento de tesoro muestra ese hecho inevitable: Quien obedece a orden o ayuda a enterrar es siempre eliminado, sean cuantos sean. Nadie pode prever la reacción de las personas ante tan fabulosa descubierta. Por suerte es casi cierto que el tesoro todo fue recuperado por Isnard Dransi o quien quiere que sea, pues todo indica que hubo un rescate completo.
La película fue un éxito. Aún más que al mismo tiempo fue filmada la historia de la película, con bastidor y todo. Dos películas en una.
O que me intrigou foi a repentina parada de Maurício Destemor de sua louca encenação em intervalo de filmagem. Abandonou totalmente o ofício de ator e virou autor. Mas suas peças não me fascinam. Me fascina, sim, o que deve ter escrito sobre Isnard Dransi. Sim, tenho certeza que escrevera uma peça continuando a encenação de interfilmagem. Não me espantaria se Maurício Destemor repentinamente ficasse fabulosamente rico.
Lo que me intrigó fue la repentina parada de Mauricio Destemor de su loca representación en intervalo de grabación. Abandonó totalmente el oficio de actor y se tornó autor. Pero sus piezas no me fascinan. Me fascina, si, lo que debe haber escrito sobre Isnard Dransi. Si, tengo certeza que escribiera una pieza continuando la representación de intergrabación. No me espantaría si Mauricio Destemor repentinamente quedase fabulosamente rico.
A meu ver, Maurício se converterá num mistério, numa personagem enigmática e fascinante não menos que Isnard Dransi.
A mi ver, Mauricio se convertirá en un misterio, en un personaje enigmático y fascinante no menos que Isnard Dransi.

domingo, 26 de dezembro de 2010


Pelé: — O rei sou eu. Entende?
Roberto Carlos: — Qualé! O rei sou eu!, bicho.
Pelé: — Sou o atleta do século, e agora o maior campeão.
Roberto Carlos: — E eu: Canto até hoje. Canto em espanhol. Não jogas em espanhol.
Pelé: — Então cantes correndo 90 minutos, toda semana, não só no reveião!

Galopera
Obra-prima paraguaia
Na América hispânica dois países se destacam pela música maravilhosa: México e Paraguai. Ao menos são os mais conhecidos no Brasil.
Música paraguaia: Quem não ouviu não viveu.
Da inebriante música paraguaia destaco Galopera, nesta versão, que considero perfeita. O acorde desse inigualável instrumento que é a harpa, cujos tons vão se recheando e complementando e a voz estupenda, comparável a Agnetha, ex-Abba. E a letra primorosa, descrevendo desde a chegada do público ao concerto onde se executará o número da galopera, os instrumentos musicais, a roupa típica da dançarina e sua trança, o tema que originou a letra e o cântaro, pois que se trata duma dança onde a moça leva, na cabeça um cântaro, pra matar a sede do peregrino. E o bailar, lembrando o movimento eqüino: Galopeira.
E o desfecho, revelando a intensa característica romântica do paraguaio, termina numa cantada
— Me dês um pouco de água fresca de teu cântaro de amor.
Ouças e constatarás que nada tem a ver com a versão estropiada, mutilada e gritada das versões brasileiras.

sábado, 25 de dezembro de 2010


Mauriac conversava com um amigo.
— Tenho dúvida sobe um escritor poder ser crítico. O que achas?, François.
— Acho que um mau escritor pode virar um bom crítico, assim como um mau vinho pode se transformar em bom vinagre.
Depois de 11 de setembro de 2001 e do Pentágono atingido (não disseram quantas das sete pontas) foi a vez da Casa Branca. No meio do escombro, tateando pra achar o telefone, Jorge Buxo esbravejou contra o assessor:
— Isso que dá o povo americano ser ruim de geografia. Mandei bombardear Casablanca, que fica no Marrocos. Não aqui, nossa Casa Branca! Seu burro!
Esta não é de minha autoria mas é imperdível:
Um cubano disse ao um venezuelano:
— Sabias que os ianques foram à Lua?
E o venezuelano, alegre:
— Verdade? Todos?
— Alto aí!, Mancha Negra. É imoral andar vestido assim aqui na França.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010


Historiador afirmou que Colombo foi espião português
Portugal (Peru.com) - Cristóvão Colombo foi, na realidade, um agente secreto do rei João II de Portugal, que enganou os reis católicos com a promessa duma rota à Índia via Ocidente, segundo a tese do historiador e escritor português Manuel Rosa.
No livro Colombo - A história nunca contada, Manuel Rosa sustenta que o almirante enganou Fernando de Aragão e Isabel de Castela com a idéia de abrir uma nova rota à falsa Índia pra deixar via livres aos portugueses a verdadeira Índia e a África.
Numa entrevista telefônica na Carolina do Norte, onde vive e trabalha, Rosa, que apresentará sua obra em 24 de novembro de 2010 na escola de estudo hispano-americano de Sevilha, explicou que Portugal queria explorar jazida aurífera em Gana, África, e comerciar com a Índia sem intromissão espanhola.
Os portugueses só enviaram navio à Índia após Colombo descobrir o Novo Mundo e Castela assinar, em 1494, o tratado de Tordesilhas com o rei João II de Portugal, um pacto que estabeleceu as rotas de expansão de ambas potências ao leste e ao oeste.
Manuel Rosa abundou na rivalidade que então existia entre Castela e Portugal pra adquirir a hegemonia sobre a rota comercial atlântica.
Nesse contexto respaldou a teoria de que em 1483 Isabel de Castela tramou o assassínio de dom João II (1481-1495) por meio de dois sobrinhos de Colombo, o que estimulou o rei português a elaborar uma conspiração com a ajuda do almirante, estreitamente ligado à coroa lusitana.
A esse licenciado em ciência humana, que reside em Eua, não cabe dúvida de que Colombo sabia que o Caribe era conhecido e seguiu viagem de 33 dias até o Novo Mundo numa rota já traçada.
Colombo antes, em 1477, navegara até o Canadá em missão secreta urdida pelos reis de Portugal e Dinamarca.
Tudo o que apresento está respaldado em documentação histórica, afirmou Rosa, que há 18 anos procura resolver os mistérios e enigmas que ocultam a figura de Colombo.
A seu juízo o plano perpetrado por Colombo foi una artimanha tão bem tramada que não só convenceu e enganou os reis católicos mas ao mundo inteiro durante 500 anos.
Outra das teses mais surpreendentes do ensaio é a relativa à origem do almirante.
Enquanto a maioria dos historiadores concorda que Colombo foi um plebeu genovês, um tecedor de lã que ascendeu a capitão, Rosa crê que era um nobre português, filho do rei da Polônia e Hungria, Ladislau III, natural da ilha portuguesa de Madeira.
Rosa mantém a teoria de que Ladislau III, que desapareceu após vencer uma batalha contra os turcos, buscou anonimato e refúgio em Portugal e recebeu da coroa portuguesa terras na ilha de Madeira, onde nasceu Colombo.
Sobre a teoria da origem plebéia do descobridor, sustenta que é inverossímil que um homem de origem humilde, como supostamente era Colombo, pudesse se casar com Filipa Moniz, uma nobre portuguesa que residia num convento e era comendadora da ordem de Santiago da Espada naquele país.
Manuel Rosa também procede a desmontar as teses de que Colombo era judeu ou judeu converso e o ocultou de propósito. Não era judeu. Segundo as análises de ADN, era um europeu branco caucasiano, asseverou.
Também defende que a chamada perda da nave Santa Maria, a maior usada por Cristóvão Colombo na primeira viagem à América, nunca se tratou dum naufrágio.
Santa Maria nunca naufragou, apenas foi varada de propósito em terra (numa praia do Haiti) pra servir de fortaleza aos homens da corte de Castela, deixados ali por Colombo pra não contradizerem a versão que apresentou aos reis católicos no regresso.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010


No episódio de Frajola e Piu-piu Visita ao hospital (Greedy for teety) há um erro de continuidade: No início o cão está com o pé esquerdo engessado. Depois aparece o direito.
Nel episodio de Silvestre y Piolín Visita al hospital (Greedy for teety) hay un error de continuidad: Nel inicio el perro está con el pie izquierdo enyesado. Después aparece el derecho.

Justiça trabalhista recebeu pedido cômico
A justiça trabalhista enfrentou um caso inédito e cômico em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. O auxiliar de serviço Ismael Antônio dos Reis, ex-funcionário duma rede nacional de loja de eletrodoméstico, acionou o judiciário com pedido inusitado. Depois de passar meses carregando microcomputador, quis cobrar da empresa um adicional de periculosidade por ter sofrido risco de vida. Ismael se referia ao contato diário com vírus de computador, que ouvira falar na televisão.
La justicia del trabajo enfrentó un caso inédito y cómico en Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. El auxiliar de servicio Ismael Antônio dos Reis, ex-funcionario duna red nacional de tienda de electrodoméstico, recurrió al judiciario con pedido inusitado. Después de pasar meses cargando microcomputador, quiso cobrar de la empresa un adicional de peligrosidad por haber sufrido riesgo de vida. Ismael se refería al contacto diario con virus de computador, que oyera hablar en la televisión.
O pedido foi apresentado à 14ª junta de conciliação de Belo Horizonte no final de 1993, depois que o trabalhador foi demitido. Também reclamou contra a empresa por horas-extra a que teria direito. A sentença proferida pela junta, presidida por juiz Ricardo Marcelo da Silva, só saiu no final de outubro último. Embora pudesse arquivar o processo, já que a solicitação de pagamento de horas-extra também era improcedente, a junta preferiu analisar o mérito da questão pra evitar crítica à justiça trabalhista.
El pedido fue presentado a la 14ª junta de conciliación de Belo Horizonte en el final de 1993, después que el trabajador fue despedido. También reclamó contra la empresa por horas-extra a que tendría derecho. La sentencia proferida por la junta, presidida por juez Ricardo Marcelo da Silva, solo salió en final de octubre último. Mismo pudiendo archivar el proceso, ya que la solicitación de pago de horas-extra también era improcedente, la junta prefirió analizar el mérito da cuestión para evitar crítica a la justicia trabajera.
Na sentença o juiz Marcelo da Silva, bem humorado, afirmou que a ação entrará na galeria de caso inacreditável do foro trabalhista. E tranqüilizou o reclamante, garantindo que o vírus de computador não é tão devastador quanto o agaivê ou o ebola.
En la sentencia el juez Marcelo da Silva, bien humorado, afirmó que la acción entrará a la galería de caso increíble del foro del trabajo. Y tranquilizó el reclamante, garantiendo que el virus de computador no es tan devastador cuanto el agaivé o el ebola.
Correio do estado, Campo Grande MS, Brasil
Segunda-feira - 11 de dezembro de 1995
Lunes - 11 de diciembre de 1995

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010


Deturpação deturpa som
Certa vez, no Jô, um cientista falava sobre o eletro-choque. Dizia que a concepção original era um choque mínimo, poucos amperes, apenas pra estimular as células.  Conceito que acabou degenerando à tortura de choque pra valer, que arrepiava quem imaginasse um parente submetido a tal tratamento que mais parecia saído dum filme de Bóris Karloff, Bela Lugosi e Vincent Price.
Como esporte: É saudável como lazer, se movimentar. Mas daí a ficar 90 minutos correndo atrás duma bola num campo enorme ou se matando pra ganhar medalha vai enorme diferença. E assim cada um pode colecionar itens que a considerar deturpação, pois são míriade.
Hoje tive, em milésima vez, reclamar no supermercado. Virou uma praga em Campo Grande (Misericórdia! Espero que seja só aqui!), principalmente nos supermercados, deixar tocando rádio, sempre mal-sintonizado, de vez em quando com umas músicas irritantes e a não menos irritante tagarelice típica desse meio de comunicação. Teve vez que larguei as compras e saí com as mãos tapando os ouvidos e não voltando tão cedo. Se fosse só num mas é uma praga geral. Tem um cujo som fica na seção horti-frúti-granjeiro. Um dia estava catando, alho quando o funcionário, no alto da sacada, ligou o som. Gritei a ele: Putz! Já vem esse som alto. Não dá vontade de fazer compra e sim de ir embora correndo! O outro funcionário tirou o sarro no colega: Toma! Quem manda ficar ligando essa coisa! Mas não adianta. Todo dia é essa barulheira. Então fui à administração, reclamar e explicar o engano que cometem.
Satã é tecnologia sem ciência. É que o sindicato, ou melhor alguma anta-de-chifre que dirige o sindicato, ouviu falar, ou viu nalgum jornal, porque ler não deve ser, que a música distrai o cliente e o induz a comprar mais. É o mesmo raciocínio de ouvir dizer que remédio cura, então ir a uma farmácia e comprar um monte de remédio, ao azar, e se empanturrar de comprimidos e xaropes. Cada tipo de comprimento de onda produz um efeito poderoso na psique. O som é uma das forças mais poderosas e sutis da natureza. Falarei disso noutro artigo. Mas tem de ser dosado, a onda certa, e varia pra cada pessoa. Não é a panacéia universal que o sindicato ingenuamente imaginou.
Se bem que pra mim foi melhor porque antes eu passeava com o carrinho, olhava cada corredor, pensava, ia, voltava, pegava a lista de compra, ficando exposto à propaganda subliminar, caso existisse de forma competente. Agora vou correndo comprar apenas uns itens necessários, numa compra-relâmpago. Meu bolso agradece à burrice do sindicato.
Ninguém merece passear o carrinho de compra tendo de ouvir Chitãozinho e Xororó, Ivente Sangalo, Daniela Mercury, algum roque pauleira ou uma daquelas pope-modernas chatas e enjoativas. Aqui tem uma pitsaria com músicos ao-vivo que começam a tocar às 18h. Mas tão alto que não se consegue conversar.
Teve uma época que até no sebo estava tocando música alta. Tinha um provador pro cliente ouvir os elepês antigos. Achei aquilo surreal. Sebo é livraria, lugar de leitura, de flolhear, saborear os livros. Até ali tem de ficar ouvindo música? Felizmente o sebista teve o bom-senso de instalar um fone-de-ouvido ali. Então o sebo voltou a seu bucolismo gregoriano... até que a loja em frente começou a tocar música alta.
Quando ouço música paro pra fazer só aquilo. Não dá pra ouvir fazendo algo, porque a música não deixa a gente pensar. Música demais emburrece porque não deixa a gente pensar. É por isso que os obscurantistas promovem tanto essas músicas degeneradas e procuram extinguir a leitura. É por isso que barateiam os discos e encarecem os livros.
A bizarrice persiste porque ninguém reclama.
Na próxima ida ao camelódromo trarei um fone-de-ouvido pra, jocosamente, presentear o funcionário metaleiro-sertanejo do supermercado.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010


Por que está de sutiã? Como pode ter mama? Margarida é uma pata e os patos não são mamíferos.
No seriado Futurama, episódio 02-03 - A eleição, vemos que a Terra é único país, um governo mundial cuja bandeira é a ianque com o desenho do planeta no lugar das estrelas. No episódio 02-12 - Visita à cidade perdida, as personagens estão num barco, no mar, e decidem pescar. O robô Bênder pergunta se estão em água internacional e o chefe responde que sim. Mas se a Terra é um estado unitário, como pode haver água nacional e internacional? No episódio 02-17 - O soldado-modelo reaparece a Terra como estado unitário.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010




Os inimigos dos livros
Um livro interessante é História universal da destruição dos livros - das tábuas sumérias à guerra do Iraque, de Fernando Báez. Mas abordarei aqui tópicos não abordados nesse livro.
Como todos os seres vivos, os livros sofrem preconceito, agressão, mutilação. Como toda criança, sofre  mau-trato, desleixo, abuso.
Quem nunca se revoltou com um livro cujo ignorante dono marcava a página com uma dobra, que sublinha trechos e mais trechos, usa a orelha como marcador de página ou restaura com fita adesiva? É um problema restaurar livro que foi restaurado com fita adesiva. Isso é feito por um leitor, com boa intenção, da qual o Inferno está cheio. Abomino o uso da fita adesiva pra restaurar livro porque na hora parece resolver mas depois vai soltando. Se a fita for de boa qualidade, tanto pior, porque pra restaurar com cola preciso soltar toda a fita que está soltando mas outra parte sai lascando da capa. Como a cola não pega na fita plástica a emenda ficaria pior que o soneto porque passando cola geral reforçaria o adesivo que está saliente, irregular. A restauração fica adiada a quando a goma apodrecer. Mais um paciente que não pode ser operado por causa do alto risco.
Já comentário em rodapé e dedicatória autografada é um complemento. Desde que não viole o texto ou ilustração, é algo que pode valorizar muito um exemplar.
O mais chocante é quando o autor da violência é o próprio livreiro, sebista. A coisa é tão grave que até quero abrir a campanha Não compres de sebista que pratica vandalismo!
É comum, tanto na loja quanto na internete, eu ter de reclamar dum adesivo posto numa capa de papelão. Nem sempre se consegue retirar sem sair uma lasca da capa que comumente é uma bela ilustração. O jeito é esperar anos, até a goma apodrecer. Então só ficará manchado. Menos mal. O pior é que o adesivo é de má qualidade mas a goma não. Assim o adesivo vai se rasgando em camada, melando toda a área. Há um tubinho igual de cola, especial pra retirar a goma, mas nem sempre a etiqueta sai toda.
Quando é um livro moderno, capa plastificada, não tem problema. Mesmo assim, se o adesivo tiver cola muito poderosa deforma a capa na retirada.
Não contente com o logotipo com telefone e endereço da loja põe outra com preço: Apenas R$ 10, bem grande. Tragédia em frente e verso, cara e coroa. Nas bancas a tragédia é ainda pior. Há gibis desgraçados que passam dum sebista vândalo a outro, ficando cheio de etiqueta, algumas sobrepostas.
Não só etiquetas mas também preço a caneta, carimbo, marca em relevo.
Aqui, em Campo Grande, tem um sebista assim. Reclamei e rebateu. Um amigo, colecionador, reclamou o tal disse que continuará pondo etiqueta porque assim venderá mais. Então por-que-diabo não vai vender parafuso ou pastel na feira em vez de livro?
Esse sebista é notório por não admitir livro espírita na loja. Mas se é tão mercantilista, pondo o lucro acima do bem cultural… O espiritismo é um obscurantismo que abomino mas a censura abomino muito mais.
Até mesmo compradores de topuer reclamam dessa goma maldita, imagine livro! Gibi, então!
A ignorância é tanta que os funcionários desse sebo recortam a tesoura a ponta da capa do gibi que estiver vincada, dobrando. Até mesmo pedaço grande! Verdadeira mutilação! Se tiver autógrafo, dedicatória, a caneta, vão lascando com fita adesiva até apagar, igual depilação a cera.
Já pensou se um livro autografado por John Lennon cair nas mãos desses vândalos-de-loja-posta? Já era! Apagarão tudo. Em 1993 lancei meu volume O castelo do medo lucinante. Em 1993 o encontrei nos sebos (até valorizado). Na dedicatória eu fazia versinho improvisado, tipo assim:
A Mônica
Pode até ficar atônita
lendo crônica
e até histórica cômica
Pois nesse sebo-vândalo fui rever meus autógrafos e constatei que a página estava apagada ou arrancada! Ainda bem que tudo o que produzo registro uma cópia.
Certos sebistas podem ser comparados a um novo-rico ignorante, que herda um casarão colonial e o reforma ou negligencia de maneira irresponsável. Quem mora em cidade histórica deve ter muito exemplo a apontar.
O livreiro precisa entender que não é dono do livro, apenas detentor. Livro é um bem cultural, um patrimônio da humanidade. É como uma criança, que podemos educar a nosso gosto mas sob limite. Pai não é dono da criança, não pode dispor como e quando quiser, podendo surrar, xingar, mutilar, matar. Está sob sua guarda mas não lhe pertence. O livro é como uma criança: Não pode se defender, é dependente.
É preciso uma lei que proteja os livros, não ficar só nessa de direito autoral. Atenção nossos políticos, que não têm o que fazer, pois só ficam se divertindo com leis esdrúxulas e bizarras. Precisamos tratar os mutiladores de livro como o que realmente são: Criminosos.
Noutro sebo o mesmo cenário trágico. O gerente disse que já orientou o pessoal mas que sempre tem um funcionário relapso. Ou seja: Nenhuma boa-vontade em resolver o problema. Eu disse perguntando como o vândalo se sentiria se fosse vender a casa e um pichador pintasse Vendo, telefone tal na fachada de tijolo exposto.
Cheguei à conclusão que, hoje, a banca é inimiga do livro.
Quando criança eu era muito gibizeiro. Depois fui derivando aos livros. Só nos últimos anos comecei a resgatar meu lado quadrinho. Quando descobri a revista Kripta e me empenhei em completar a coleção, pensei no fato de que na década de 1980 ela estava nas bancas. Por que não a conheci na época?
Há pouco soube do último número de Aventuras Disney, coletânea de Mancha Negra. Passou batido. Só depois, como usado, é que acessarei a coisa. Refletindo sobre isso concluí que a culpada é a banca.
Sim, as bancas estão superadas. São uma concepção de décadas passadas, na condição de vida da época. Hoje a banca é um cubículo desconfortável e muito apertado nas cidades grandes. Quantas vezes entrei numa banca? Passei décadas sem entrar. Tudo porque aquele cubículo apertado e abarrotado não é atraente. Ao contrário, muito repelente. O cara da banca bem ali, de olho, o espaço exíguo, os livros e gibis amontoados. Não é um espaço aconchegante. É como um posto de saúde, uma farmácia, lugar aonde se vai somente sob muita necessidade, se procurando ir embora logo.
A meu ver o fracasso do Aventuras Disney se deve à falta de visão, à insistência em se direcionar o produto às bancas, que há muito deixaram de ser freqüentadas pelas crianças e jovens. Fracassou porque não soube encontrar seu público-alvo. Porque manteve o estereótipo, a geopolítica de muitas décadas atrás. Não atentou à enorme mudança social e urbanística.
Não perceberam que o leitor gibizeiro não está nas bancas mas nos sebos.
— Arrasando de novo! Hem, Marta.
— Á! Cês não viram, nada! Espera só quando eu estiver em TPM!
— E diz que quando o Santos tava goleando eram as sereias da vila, disfarçadas...
— Sem comentário. Sem comentário.

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