terça-feira, 21 de outubro de 2014

Crônicas bogotanas medelinenses
Da autobiografia não autorizada de Che Guavira
Capítulo 3
 A novela mexicana, ou melhor, colombiana da senha do cartão Achas que é uma maravilha a ligação gratuita? Pois vejas só Café no isopor! Um alegre passeio na serra A lindíssima Medelim O sósia de Suassuna Fim da breve visita Itagüi é topônimo tupi
Na ida, já no aeroporto, a senha do cartão internacional não funcionou. Corri à delegacia de atendimento ao turista. A atendente telefonou ao número de atendimento no verso do cartão mas a ligação caía. Só depois me toquei de que deve ter ligado ao primeiro número, sem olhar que era pra atendimento noutro país. Então resolvi ligar do hotel, pois se era só senha seria coisa trivial.
Como socorro retirei 1000 reais no caixa eletrônico e troquei por dólar numa casa de câmbio, pra trocar por peso colombiano lá.
Dona Stella, a dona do hotel, disse que seu irmão, dom Germán, sócio, é quem costumava resolver problema com cartão. Que na manhã seguinte o faria.
Mas dom Germán teve de viajar e não o vi nessa estadia.
No verso do cartão não havia número pra atendimento na Colômbia. Portanto a opção seria outros países.
Do hotel não poderia ligar, pois ali ligação internacional é bloqueada no sistema. Na esquina à esquerda, virando à direita até a outra esquina transversal tem uma casa telefônica e interneteria. O número não completava.
No dia seguinte fui a uma loja da Western Union, num centro comercial perto. Nada. Que não era ali, não tinha como, não sabia informar...
Na interneteria mandei imeio à Treviso, operadora do cartão. A resposta chegou depois de solucionado.
A hoteleira encontrou um número que seria um atendimento. Fui à interneteria mas a ligação dava mensagem de número que não existe. Voltei ao hotel. O número existe. Decerto tentei ligação internacional quando era local. Voltei. De novo não deu. E assim cinco vezes, cada vez com novo porém. Nada.
Liguei ao amigo Ramão, pra se informar no Brasil. Deu vários números que forneceram. Mas eu não conseguia ligar porque eram 0800 e 1800, ligação gratuita, e a interneteria bloqueia ligação gratuita porque tem uma cota pra vender ligação, não pode desperdiçar cota com ligação gratuita.
A ligação gratuita, que teoricamente seria um imenso benefício, em viagem se torna um estorvo, porque tanto hotel como casa telefônica bloqueiam. Um porque é ligação internacional, o outro porque é gratuita.
Eu teria de ligar da casa de alguém, dum morador.
Como tinha de pagar o hotel a hoteleira sugeriu um depósito. Assim Ramão faria um depósito a meu cartão. Pra isso escaneou meu cartão e minha identidade. Então a atendente do cartão disse que não é assim a identidade, que tem um chipe, e anexou ao imeio uma figura da identidade duma brasileira como exemplo. Assim mixou a opção do depósito.
Eu disse que não tem chipe, que se tivesse ficaria sabendo. Que só se implantou agora, porque minha identidade é do ano passado. E como passaria no aeroporto se não valesse?
Quando cheguei de volta fui me informar e enviei imeio à hoteleira, informando que não existe. O chipe será implantando. Só há alguns como teste.
Na noite o sócio, senhor Germán, me chamou a uma conversa à tela do computador e pediu garantia de pagamento. Certamente a preocupação foi por causa do chipe e do cartão que nunca se resolve.
Na sexta-feira na noite já tinha como última solução apelar à embaixada. Seria só na terça, porque na segunda era feriado nacional. Se informaram de que a embaixada abre no sábado no fim de tarde. Mas o taxista do hotel não apareceu. Ficou claro que tentavam evitar a solução via embaixada, vendo se resolvia antes.
Mas no sábado Ramão conseguiu contatar com a Treviso, depois de falar cuma atendente que não quis saber, conseguiu com outro. Fui chamado ao celular da hoteleira, onde um sujeito com sotaque português foi fazendo as perguntas-chave e eu tinha de ir digitando os números do cartão e as opções. Acontece que no celular apareciam as opções que teclei mas decerto era incompatível com o sistema deles. De modo que mesmo aparecendo o número teclado na tela, ouvia mensagem de opção errada.
A hoteleira disse:
— Calma. Não fiques nervoso. Tem de ir fazendo com calma.
Eu explicava que não era isso. Era o sistema que ignorava os números teclados.
Liguei a Ramão e pedi a ligar de novo, vendo se tem um endereço pra eu ir pessoalmente. Não tem.
No domingo nova ligação, nessa vez com sotaque brasileiro. Tudo igual. Avisei que não adianta teclar os números, pois o sistema é incompatível com o do celular. Então após as perguntas-chave avisou pra não teclar, que passaria tudo direto.
Assim fui ouvindo as mensagens de opção, aguardei, foram caindo, passando a diante, até ouvir a senha.
Ufa! Acabou a novela.
Que sabor teve a primeira compra!
Na quinta-feira, 21, dei uma esticada até Medelim. Já que estava perto fui passar um dia, pra conhecer o amigo Carlos Molina, antigo correspondente, pois se não fizer assim os anos passam e ninguém se encontra.
A viagem em terra Bogotá-Medelim (mnemonicamente tobogã-medalhinha) é muito mais demorada que a distância supõe, por ser área montanhosa. 404km em 8h ou 9h, imaginem! Deve ser uma paisagem e tanto, mas fica prà próxima curtir a paisagem. Fui em avião.
A idéia era ir e voltar no mesmo dia, como costumeiro quando se vai a Ponta Porã. Mas a volta daria poucas horas. Ainda mais que a distância do aeroporto a Medelim é grande. Optei voltar na manhã do dia seguinte.
Na ida mais um percalço. Como no bilhete da Edestinos, que imprimi, a viagem no Brasil consta a hora de embarque, nunca perdi vôo aqui. Mas lá a hora impressa é a do vôo, não a do embarque! O que me interessa a hora do vôo? O que interessa é a do embarque. Não podiam encaixar noutro vôo porque dizem que estava tudo lotado, mas pagando a taxa a vaga aparece. Assim, em vez do vôo das 7h fui no das 10h.
No avião serviram café em copo de isopor com colherinha de plástico! Ao descer entreguei a uma comissária, dizendo que esses materiais não podem conter líquido quente, pois são tóxicos.
No aeroporto encontrei Carlos, um sem saber a fisionomia do outro. Sorte que não havia multidão. De cara me lembrou senhor O’Hara de Karatê Kid, embora nada tenha de japonês.
Fomos a um jipe Land-Hover, onde sua esposa, Margarita, nos esperava, e Carlos se jogou na traseira. O esporte do casal é caminhada, escalada, passeios ecológicos desse tipo, daí o jipe.
Dona Margarita ao volante, um percurso de meia hora numa paisagem deslumbrante e cheia de curva, com paredões e densa mata nos dois lados, que lembra muito a serra catarinense. Um posto de pedágio no meio do percurso. A cidade despontou num vale abaixo, o que na serra catarinense corresponderia ao mar.
 A casa decorada com bom-gosto, com pingentes sonoros, um aquário seco. A garagem do jipe é a sala-de-visita. Cada um molda sua casa conforme seus hábitos. Nada mais natural que tenham o jipe no meio da sala, o que deu um toque rústico.
 
Após a troca dos presentes fomos almoçar num restaurante próximo. No começo da tarde um passeio na praça central, onde tem uma maria-fumaça preta como monumento, bibliotecas, algumas estátuas metálicas representando figuras típicas e uma gigantesca estátua de concreto em forma de painel, mostrando os aspectos da colonização.


O guarda de plantão ali, muito culto, deu um histórico geral da feitura do painel, o que significava cada cena.
Medelim não se parece com Bogotá. É ainda mais linda, porque a beleza está na paisagem, não só na arquitetura. E é mais quente, pois em menor altitude. Bogotá é mais são-paulo, uma sampa melhorada, sem prédio alto. Medelim seria a gramado colombiana. Como Campo Grande é a cidade morena, Cuiabá a cidade branca, Medelim é chamada a capital da montanha.
Na praça ficamos esperando a filha de Carlos, e logo mais o genro nos apanhou de carro.
Carlos perguntava à filha onde irmos, pois estava preocupado em me fazer passear Eu disse: Mas a vinda na estrada serrana, no jipe, com estupenda paisagem, já não foi um magnífico passeio? Quantos pagariam caro um passeio assim!
Eu queria deixar claro que não fui passear em Medelim. Só uma esticada pra conhecer Carlos. Um dia corrido daria o mínimo de interferência em seu cotidiano.
No caminho falamos sobre os topônimos tupis. Logo vimos um ônibus ostentando o letreiro Itagüí, uma cidade próxima. Eu disse:
— Mas esse nome é nitidamente tupi!
Fim de tarde, decidiram ir ao museu que foi a casa do escritor local Fernando González, que achei sósia de Ariano Suassuna. Tipo uma sede campestre, estacionamento chão de terra sob as árvores e mesas com guarda-sol. No museu livros desse autor a venda. Carlos me deu Los negroides (Ensayo sobre la Gran Colombia, 1936).
 
Adeene neles!
Carlos se espantou quando perguntei se tinha ascendência japonesa. Um amigo japonês aqui uma vez disse que deixaria pra me receber no outro dia porque naquele chegaria sua filha e o genro, que ficaria dividido tentando atender duas visitas. Pois é. Se Carlos fosse japonês eu não estaria à mesa consigo, esposa, filha e genro. Se encontraria comigo noutro dia. Disse:
— Digo, sem ter certeza, que pertenço aos nutabes. Se bem que devo ser mistura de indígenas e espanhóis. E, segundo Mário Jorge, de japonês também.
Passamos o fim de noite conversando, sentados na soleira da porta, na calçada, sobre as coisas da terra, a angústia e esperança de solucionar a guerrilha, o clima, a beleza da serra.
Fui dormir. Na verdade apenas me estirei sobre a cama, sem mexer nela, vestido, pronto pra ir. Na madrugada me chamou. O táxi estava à porta, rumo ao aeroporto. Vôo de volta sem café no isopor.
Assim foi a viagem ao país do cata-vento e das maravilhas. Viagem de sonho, inesquecível.
Apêndice
Itagüi é topônimo tupi
Os tupis estiveram na Colômbia central. A figura tirei de
Los tupís estuvieron en Colombia central. La figura saqué de
Concluí que o topônimo da cidade de Itagüi é de origem tupi.
Concluí que el topónimo de la ciudad de Itagüí es de origen tupí
Os tupis tiveram presença e influência no território colombiano muito maior do que se pensa. Vejamos uns detalhes:
Los tupís tuvieron presencia y influencia nel territorio colombiano mucho más de lo que se piensa. Veamos unos detalles:
Segundo Carlos, alguns lugares ali se chamam Tupinamba.
Según Carlos, algunos sitios allí se llaman Tupinamba.
Também vários hotéis e uma canção da dupla Lara e Acosta.
También varios hoteles y una canción del dueto Lara y Acosta.

 No folclore colombiano tem a sereia do arco (sirena del arco), que é uma sereia com máscara, na verdade um antifaz, vermelho, o que seria muito estranho. Mas fica óbvia a origem. É a pintura de urucum, tradicional dos tupis.
Nel folclor colombiano hay la sirena del arco, que es una sirena con máscara, en verdad un antifaz, rojo, lo que sería muy extraño. Pero queda obvio el origen. Es la pintura de urucún, tradicional de los tupís.
O topônimo Itaguaí tem origem na antiga língua tupi e significa rio da enseada da pedra, através da junção dos termos itá (pedra), cuá (enseada) e y (água)
El topónimo Itaguaí tiene origen en la antigua lengua tupí y significa río de la ensenada de la piedra, a través de la junción de los términos itá (piedra), cuá (ensenada) e y (agua)
Minha tia Cecília Figueiredo, que é paraguaia e fala guarani, confirmou:
Mi tía Cecilia Figueiredo, que es paraguaya y habla guaraní, confirmó:
Itagüi (pedra embaixo), güi (embaixo)
Itagüi (piedra embajo), güi (embajo)

O trecho retirado do endereço acima discute a etimologia de Itagüi. Os eruditos estão equivocados.
El trecho retirado del sitio arriba discute la etimología de Itagüí. Los eruditos están equivocados.
 (Abaixo, tradução do trecho em questão)
Uno de los mitos que son soporte de la historiografía tradicional nel municipio de Itagüí consiste en afirmar la existencia de una tribu indígena llamada Bitagüí con su cacique Bitagüí. Sin embargo, en ninguna de las crónicas aparece el nombre de ese cacique o tribu. Muchas de las nominaciones que los españoles adaptaban de 1os indígenas, para las atribuir a un lugar, provenían de confusiones lingüísticas que se daban nel encuentro. El primer saludo o la primera palabra agresiva era entendido y adoptado, atribuyendo significados distintos a los originales y permitiendo se transformar a través del tiempo. Ese fue el caso de la palabra muisca, que, según Graciliano Arcila, significaba blanco y terminó siendo atribuida a las culturas indígenas de las tierras altas de Cundinamarca y Boyacá. Puede pues el nombre Itagüí provenir de cualquier parte, y aunque en algunos estudios se intenta, por ejemplo, buscar palabras catías (Itahui: Evitar, dejar en paz, apartar, abandonar) o chibchas (Ytiquyn: Dedo de la mano), esos estudios empero no se hicieron con rigurosidad científica suficiente y con base en estudios comparativos antropológicos, arqueológicos, lingüísticos o históricos que permitan demostrar que en esa época de la conquista y principio de la colonia existía ya el nombre de Itagüí. Los hallazgos arqueológicos y, en muchos casos, la guaquería realizada en Itagüí, hablan de la existencia de asentamientos indígenas en la zona, pero no se dio importancia a la investigación y al estudio riguroso de esos vestigios.
Um dos mitos que são suporte da historiografia tradicional no município de Itagüi consiste em afirmar a existência duma tribo indígena chamada Bitagüi com seu cacique Bitagüi. Mas em nenhuma crônica aparece o nome desse cacique ou tribo. Muitas das denominações que os espanhóis adaptavam dos indígenas, pràs atribuir a um lugar, provinham de confusões lingüísticas que ocorriam no encontro. O primeiro cumprimento ou a primeira palavra agressiva era entendido e adotado, atribuindo significados diferentes dos originais e permitindo se transformar através do tempo. Esse foi o caso da palavra muisca, que, segundo Graciliano Arcila, significava branco e terminou sendo atribuída às culturas indígenas das terras altas de Cundinamarca e Boiacá. Então o nome Itagüí pode provir de qualquer parte, e se bem que nalguns estudos se tenta, por exemplo, buscar palavras catias (Itahui: Evitar, deixar em paz, apartar, abandonar) o chibchas (Ytiquyn: Dedo da mão), mas esses estudos não foram feitos com rigor científico suficiente e com base em estudos comparativos antropológicos, arqueológicos, lingüísticos ou históricos que permitam demonstrar que nessa época da conquista e princípio da colônia já existia o nome de Itagüí. Os achados arqueológicos e, em muitos casos, o garimpo realizado em Itagüí, falam da existência de assentamentos indígenas na zona, mas não se deu importância à investigação e ao estudo rigoroso desses vestígios.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Página 43 corrigida
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The twilight zone, Além da imaginação (Brasil), Quinta dimensão (Portugal), Dimensión desconocida (Hispanoamérica), Zona de las tinieblas (Espanha)
Twilight zone: The movie, Dimensión desconocida (Hispanoamérica), En los límites de la realidad: La película (Espanha), Al filo de la realidad (Argentina) filme de 1983, de  Steven Spielberg.
Embora a tradução literal, mais adequada, seria Zona do crepúsculo, pois o título original se refere à idéia duma zona de transição entre a realidade cotidiana prosaica e a onírica, a fronteira entre o dia e a noite, sempre foi moda dar título mais chamativo.
Me lembro de, cuando criança, aconteceu que a televisão fazia muita chamada da série Quinta dimensão, que nunca foi exibida aqui em Campo Grande. Decerto perceberam que era a mesma Além da imaginação.

domingo, 12 de outubro de 2014


Lendas da Amazônia brasileira
Ana María Gómez Platero
Victoria Palma Ehrichs
Edição bilingüe, português-castelhano
Edición bilingüe, portugués-castellano
Grato a Hasieran

Está na moda difamar o passado
Comentário de Nano Falcão,1.10.2014 11:36
Ray Bradbury muito bem profetizou, em Fahrenheit 451, que o politicamente correto é que acabaria com a literatura e só restaria no futuro reality shows (e ele escreveu isso nos anos 50!).
Hollywood há tempos sofre com essa praga. Em todo filme que se passa na idade média por exemplo, não há machismo: Mulheres são sempre avançadinhas, guerreiras, assanhadas. Afinal mostrar a REALIDADE HISTÓRICA, a repressão sexual, com a própria mulher acatando o papel imposto pela sociedade de submissa, seria "machismo". Pra compensar o machismo de outrora nos filmes hollwyoodianos até meados dos anos 80, hoje as mulheres são sempre mostradas em papéis de liderança, coragem, força. O papel de "loser", da pessoa cheia de "dúvidas", do carente, do inseguro, é sempre do homem (mas só se ele for branco e hetero, do contrário será preconceito).
Aliás, outra coisa irritante é a política de cotas forçadas em vigor atualmente no cinema. Se antes havia discriminação visivel nos filmes até novamente, meados dos 80, hoje até em filme com "deuses vikings" como do Thor, tem deus nórdico negro e japonês. As cotas chegaram até Asgard! Agora imaginem se fossem fazer um filme sobre o panteão das deidades japonesas ou africanas, será que ousariam colocar caucasianos no lugar? Todo mundo sabe a resposta.
No fim das contas ao invés de combater o machismo, o racismo e a discriminação, Hollywood só as esconde, ao editar a história e dar a entender que não havia machismo na idade média, que não havia apartheid dentro da sociedade americana até bem pouco tempo atrás, esquecendo-se até que até meados dos anos 50 o exército americano ainda era segregado! (brancos não podiam servir com negros).

Se existe uma PÉSSIMA FORMA de aprender qualquer coisa com História é vendo filme de Hollywood.
http://www.pavablog.com/2014/10/04/o-material-jornalistico-produzido-pelo-estadao-e-protegido-por-lei/?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=bol+426
Aproveites pra ler este texto logo, porque no futuro pode ser proibido por ser muito sabe-se-lá o quê
Há décadas vemos essa lenga-lenga no noticiário. O mais comum sempre foi o de tom puritano-moralista. Quando se quer vender algo basta fabricar uma polêmica, se combina um teatro de discussão. Por exemplo: Nos anos 1990, quando o carnaval paulistano ainda estava incipiente, venderam pouco ingresso pro desfile de escola de samba. Então lançaram a polêmica de que um carro alegórico encenaria uma lua-de-mel. Arranjaram um delegado pra declarar que proibiu o carro desfilar. Patati-patatá, discutiram bastante, chovendo no molhado. Enfim venderam todos os ingressos. No carro alegórico era só um casal de langerri.
A imprensa sempre viveu disso, nesse eterno morde-e-assopra esquizofrênico e amnésico, onde o público é tratado como o mais débil dos débeis mentais.
Agora a moda é difamar o passado. Monteiro Lobato retratava sua ficção com base na condição de sua época. Idem Tom & Jerry.
Agora o subterfúgio covarde de acusar de racismo quem já morreu ou é personagem de ficção, portanto incapaz de se defender.
Esse tipo de sofisma, já muito manjado, é conhecido como idiotice da objetividade. O idiota da objetividade é quem usa dessa forma distorcida e pervertida de raciocínio, tipo fazer análise literária de lista telefônica. Aos que têm preguiça mental, os famosos vidiotas, parece tudo muito lógico.
Já ouvimos tanto reproche, por exemplo, às telenovelas, por serem fantasiosas: Quando uma moça pobre se casa com um rapaz rico, por exemplo. Já ouvi muito dizer: Só em novela mesmo!
Se a ficção retrata uma situação ideal é fantasiosa, se retrata a realidade é conservadora, e no futuro sabe-lá de quê será acusada!
Se a mocinha se casa com rapaz rico uns dizem que é fantasiosa. Se a mocinha se casa com rapaz pobre dirão que é doutrinária, conservadora. Se não se casa dirão que é pessimista ou revolucionária. É difícil agradar a gregos e troianos.
São conceitos que se podem torcer e distorcer conforme o interesse do momento.
É por isso que a cultura do passado fica abandonada: Por que o interesse manipulador que a gerou não mais existe. Agora ela incomoda.
E também, por exemplo, se tendo muita concorrência pra vender os vídeos, propagandear que os seus, editados, ou melhor, mutilados, são mais morais que os outros.
Nesse sentido se pode argumentar qualquer coisa. Tarzã pode ser taxado de anti-ecológico ao matar jacaré a facada. Os filmes épicos serão acusados de incentivar o belicismo. Ou de anti-ecológicos, porque os navios são feitos de madeira.
Então os filmes com as caravelas chegando serão editados? Passaremos a ver Cabral chegar em caravelas de ferro?
E um trecho de texto de Machado de Assis, onde a personagem abre uma boceta de rapé. Terá de editar, né? Uma caixinha de chocolate, então?
Mas depois virá outro crítico, dizendo, com razão, que isso está falseando o passado.
Monteiro Lobato caracterizou tia Anastácia como a típica empregada rural de seu aqui-agora, tal qual a empregada da casa de Tom & Jerry, que é uma típica negra da Luisiana, o estereótipo bem retratado em E o vento levou...
Se nos três exemplos caracterizasse essa típica negra gorda de sotaque carregado como uma branca magra com sotaque alemão, por exemplo, o que aconteceria? O público não se identificaria com o enredo, pois lhe pareceria falso, artificial. Seria como se na telenovela das 8 a empregada fosse uma japonesa intelectual, que fala 10 idiomas. Toda a imprensa desceria a lenha, o público rejeitaria e a telenovela seria cancelada por queda de audiência.
Exatamente o que disseram da personagem que a cantora Sandy fez numa novela, que era uma rípi muito estranha: Que toma banho, não fala palavrão, não fuma, não usa droga, não transa...
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. É assim na terra do bicho-homem.
Um vocábulo popular define bem a coisa: Babaquice.
Qualquer telenovela, filme, peça, o que seja, que fosse 100% politicamente correta não teria conflito. Seria tão chata quanto um discurso político.
Nada restaria. Teria de se proibir toda recordação do passado.
Aula de história? Nem pensar!
Das três, uma: Esse sofista é idiota, espertalhão manipulador ou doido varrido.
Quando te deparares com esse tipo de sofista, não te enganes: Estás diante dum manipulador. O que parece ser uma tolice é, na verdade, manipulação maliciosa, maligna.
Que tal argumentar que as três empregadas (tia Anastácia, a de Tom & Jerry e a dO vento levou...) são uma ofensa aos obesos? Ou um incentivo à obesidade? Ai! Pode ser que quando alguém esteja lendo isto o vocábulo obeso seja incorreto. Eu deveria dizer hiper-adiposo, expansivo, rechonchudo, graxamente rico... Ai! Não tenho bola de cristal!
Se continuar cogitando isso ficarei, buuuuu!, neurastênico, como na canção dos anos 1970.
Tenho uma coleção desses moralismos em recorte de jornal, etc. É juíza proibindo uma propaganda porque tal coisa incentiva os jovens a isso e aquilo, aeromoças protestando contra artigo da revista Playboy... E miríades de picuinhas duma sociedade americanizada, onde tudo incomoda alguém, inviabilizando toda manifestação cultural, transformando tudo na televisão sueca, uma sociedade tão certinha e tão chata.
A sociedade sueca é tão civilizada, tão avançada, tão cheia de direito, que é maçante, enfadonha. Pra se fazer um programa de tevê se faz mil ponderações, quase uma enquete, pra não se ferir a baboseira-mor dos séculos 20 e 21, o politicamente correto.
É preciso a humanidade sair da infância e rejeitar essa sem-vergonhice.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Grato a Roland Font, del sitio
por escanear las 10 páginas finales
faltantes en mi ejemplar

Grato a Roland Font, do sítio
por escanear as 10 páginas finais
faltantes em meu exemplar

Ya postados escaneo y traducción, al portugues, del volumen 2:
Já postados escaneio e tradução, ao português, do volume 2:

Tradução de Che Guavira

Los 3 volúmenes de la colección son
Memorias del doctor Mortis 1
Como asesinarías? - Vampiros - El espejo
Memorias del doctor Mortis 2
El hijo del cadáver - La máscara - La vieja tía Enriqueta
Memorias del doctor Mortis 3
El asqueroso hombre de la nieve
Os 3 volumes da coleção são
Memórias de doutor Mortis 1
Como assassinarias? - Vampiros - O espelho
Memórias de doutor Mortis 2
O filho do cadáver - A máscara - A velha tia Henriqueta
Memórias de doutor Mortis 3
O abominável homem-da-neve 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

● Na cidade, em toda parte vemos sorriso. Se olhar na traseira dum carro, sorriso. Na fachada duma casa ou num muro, mais um ou dois rostos sorridentes. Sorriso de bigode, sorriso de mulher pícara.. A caixa de correio abarrotada de sorriso. Mas esta não é a cidade-sorriso, de população alegre e bonachona. Não é carnaval nem são-joão. São os panfletos e cartazes de candidatos municipais grassando e sem-graçando na cidade. Todos sorridentes. Sorriso de político, sorriso de misse. Tão simpáticos, tão amiguinhos. Mas na intimidade, tenhas certeza, ó leitor, é deboche atrás de deboche. Me dá vontade de vomitar ao abrir a caixa de correio, ao ver o cartaz na traseira do carro que vai na frente, ao ver a fachada da casa de seus ingênuos adeptos ou cabos-eleitorais. Se gasta uma fortuna pra sustentar essa utopia, essa fantasia, essa festa pobre, insossa, vetusta, brega e chata chamada democracia, baseada no mesário-escravo e no voto obrigatório. Na fatura do cartão veio um número pra ativar o extrato eletrônico. Diz que é pra economizar papel. Primeiro que esses diabos sardônicos economizem papel!
● Concursos de conto, tão burocráticos, fazem tanta exigência, que mais parecem concurso público. Concursos industrializados. É muita preguiça e muita folga. Com mais regulamento que legislação brasileira. Querem tudo formatadinho. Com tantas páginas, etc.
Concurso de verdade não tem inscrição e se descobre o talento onde e como estiver. Imagines se os irmãos Grimm, ao coletar os contos populares, tivessem a mentalidade desses pseudo-intelectuais que promovem esses concursos de polichinelo. Exigiriam que o camponês escrevesse em linguagem formal, redigisse em laudas com tipo tal, tamanho tal, sem serifa, com margens de tamanho tal, com número mínimo e máximo de páginas e com data limite pra entregar.
Burocratas travestidos de intelectuais. Estão mais pra madame dona de butique que pra agentes literários.
Seus farsantes: Vão tourear pato na Coréia!
● Recebi o exemplar da segunda edição de O mundo fantástico de HP Lovecraft, revisada. Agradeço a citação de meu nome no prefácio e o exemplar extra de brinde.
Lamento que minha reclamação contra a mutilação que a revisora fez em minhas traduções foi mantida. O editor concordara em consertar isso. Caso dissesse que manteria a coisa como estava, que era seu direito, eu então decidiria se compraria o exemplar da segunda edição.
O que a revisora fez foi mutilação. Foi combinado com a equipe que só seriam corrigidos erros de fato, que não se mexeria em estilo. Cumpri estritamente o combinado mas minha revisora não. A revisora cismou que uma nota de rodapé minha era coisa pessoal e a excluiu. Noutro texto do livro, doutro tradutor, outra nota, de mesmo cunho, portanto também pessoal (nunca vi um escrito que não seja pessoal, a não ser livro técnico) foi mantida. E foram colocadas notas, que não são minhas, constando como nota do tradutor, portanto informação errônea.
A revisora inseriu vícios de linguagem que abomino, contra os quais já postei artigos criticando o hábito. Então aparece tradução minha com aqueles vícios todos, com meu nome. Que prato cheio pra meus detratores!
Por isso renego, refugo, rejeito, reprocho e repudio as duas revisões feitas. Eis as genuínas:



domingo, 28 de setembro de 2014

Escaneei este número presenteado por Joanco. Escaneio facilitado porque estava encadernado e foi desencadernado, ficando as folhas soltas.
A revista era tão popular que inspirou o nome duma escola de samba, a X-9 Paulistana, cujo refrão é X-9, seu verde, vermelho e branco. Contigo a tristeza espanto e canto até o sol raiar. Deixes a X-9 passar.
Tem novelas em capítulo e contos. Eis um excelente conto curto extraído da revista:

segunda-feira, 22 de setembro de 2014


Mais uma do Joanco
As estórias com mais qualidade que costumeiramente
Torci pro Coelho mas não tem jeito. O fim é sempre moralista.
O conto do boato chega a ser educativo
Quanto aos heróis, assim com tantos super-poderes, até eu! Com tantos poderes assim, até que são enrolados demais pra resolver a coisa!
O tal do Homem-espelho ficou estranho. Não tem muito a ver com espelho. Bem mal bolado.
Conto contido na revista:
À coleção Adeene neles!

Dom Félix, dono do sebo Torre de Babel, com Michel, sua pupila bolsista, e seu funcionário
Crônicas bogotanas
Da autobiografia não autorizada de Che Guavira
Capítulo 2
Os bogotanos têm muito a nos ensinar de solidariedade e calor humano Choque cultural e ciclo vicioso Sobre chilenos, argentinos e espanhóis Harmonia no trânsito Meu paraíso e o de Borges Livro, pra que te quero?, ler Excesso de bagagem × transportadora
A impressão que deu é dos colombianos estarem um degrau acima no item civilização em alguns aspectos. Nos centros comerciais há banheiro pago. Se paga tipo 50 centavos e se passa uma roleta após a atendente dar um pedaço de papel higiênico. Aperto não é assunto de polícia.
Decerto naquelas bandas ultra-Amazônia a mentalidade do povo é muito diferente. Tive a impressão de que não há aquilo do trabalho como uma maldição, tão arraigado na cultura brasileira, que é escravista por excelência. Nada daquele sentimento de olhar o relógio torcendo pro expediente acabar, chegar logo o fim de semana. Era como se estivesse noutro planeta.
Parece uma terra ainda não contaminada pelos obscurantistas. Se trabalha de bom-humor, com feição sorridente. O trabalho parece ser uma bela parte da vida, não uma maldição da maioria que não ganhou na loteria.
Começo falando do hotel, pequenino, sem fachada indicativa. Fiquei surpreso ao ver que ficaria com a chave, não a entregando à portaria ao sair. Assim o hóspede entra abrindo o segundo portão, pois o da rua não é trancado, a porta da portaria e o quarto.
A dona do hotel me tratou como a um familiar. Foi a fundo pra resolver o problema do cartão e as opções de bagagem. Estava muito preocupada em que eu não pagasse muito caro pra trazer os livros que comprei, cerca de 70kg. Por isso me deu endereços de transportadoras e pesquisou as condições de excesso de bagagem no avião.
Também o taxista, que apenas presta serviço ao hotel, foi muito solidário também nesses dois pontos, e me acompanhou no embarque até o fim.
Em todos os sebo aonde fui, o atendimento não tem aquela indiferença cortês, aquela impessoalidade à qual estamos acostumados. Se percebe um bom-humor e solicitude que encantam.
No final da compra, se irei pegar um táxi, o atendente me ajuda a carregar a caixa várias quadras aonde mais passam os táxis e fica esperando junto, mesmo avisando que não precisa, que pode voltar a seu afazer. E isso não numa mas em todas as lojas.
No sebo Torre de Babel, onde fiquei mais tempo, notei bem os funcionários sorridentes, também entre si, não o sorriso pro cliente. Fiquei horas plácidas ali. Parecia estar hospedado na casa duma família e não comprando num sebo. Muito diferente daqui, onde mais parece um quartel.
No sábado convidei a garota do sebo pra almoçar. (Ai! Já vão os leitores pensando coisas...Bom... Se fosse uma brasileira esse convite já seria uma dificuldade). No final deixou um terço do camarão, pra levar aos colegas provarem.
Aquilo me deixou pensativo. Se fosse aqui, uma brasileira... Impensável. Se o fizesse os colegas diriam que é bobinha, boazinha, tanto nossa cultura está viciosa, cheia de malícia e maldade. Não. Uma brasileira não o faria.
Parece uma irrisória diferença cultural mas o resultado é que tomamos um café que é lixo, nossos empregos são um pesadelo, os políticos só querem tirar vantagem e praticamente tudo o que compramos é falsificado.
Me lembro que muitas vezes no trabalho eu procurava criar um clima de mais coleguismo. Me lembro que levar um quitute de vez em quando não contaminava os outros com a idéia.
Quando estagiário eu estava num clima tão positivo, que ajudava aos colegas, já pegando o que estava no caminho. Uma colega disse Como és bonzinho! naquele tom irônico. Nunca se é um cara lega, gente-fina, sempre bonzinho ou bobinho. Tal é a maldade de nossa cultura viciosa, rançosa, putrefata. O Murro das lamentações está certo.
Me lembro de quando fiz um curso cuja aula era uma vez por semana. Alguns começaram a levar um quitute por vez mas infelizmente éramos poucos os que se dispunham. Mesmo uma colega casada cum dono de frigorífico não se dispôs a entrar na roda. Fiz a conta: Éramos 30. Alguém teria a vez novamente só depois dalguns meses. Mas é como diz aquele provérbio: Basta que um homem seja irracional pra que todos os outros sejam, e o mesmo aconteça ao universo.
Era a isso que se referia o primeiro-ministro chinês, quando disse que é preciso mudar a cultura do povo: À lei de Gérson, ao esnobismo, à malícia e malandragem. Mas infelizmente só uma força externa pode desmanchar esse ciclo vicioso.
Foi minha impressão. Se quem morou lá não concorda, que comente. Postarei aqui.
Nas lanchonetes o atendimento varia. Tem os bem expresso, sem atenção nem simpatia, até os excelentes.
Taxistas há de todo tipo, até dos que não deixam o cliente no endereço exato.
No trânsito poucas diferenças. Não tem essa de quando o carro vira esquina a preferência é do pedestre. E gostam de buzinar. Sempre que abre o sinal e o da frente atrasa 1s, já se dá uma buzinadinha discreta, simples bip. Parece que é cultural. Só pra avisar, caso o outro esteja distraído. E o da frente não se incomoda. Não dá impressão de estresse ou irritação. Nos 10 dias, andando a todo lado, não vi xingamento, irritação, nada. Mesmo nas vias que cruzam as de exclusivamente pedestre, apinhadas de gente, a relação pedestre-motorista é harmoniosa.
Nas amplas calçadas das avenidas centro-comercial tem faixa-ciclovia. Não é como as ciclovias daqui, asfalto, mas uma faixa na calçada mesmo. O pessoal se distrai e acaba andando ali, mas isso também não gera conflito.
No geral o trânsito é como o daqui ou como o do Chile. Não é a zorra do Paraguai. Meu pai, Aydil Peixoto Vargas, foi diretor de trânsito até 1977, da ciretrã daqui, quando aqui era Mato Grosso. Era amigo do cônsul paraguaio, que também morava na vila Alba. O cônsul lhe transmitiu um convite do governo paraguaio pra implantar o sistema daqui lá, e assim organizar o trânsito paraguaio. O comando de Cuiabá, com inveja porque o convite foi feito diretamente, não deixou. Por isso o trânsito paraguaio é assim até hoje.
Conversando com o funcionário dum sebo lá: Ai!, mas argentino... Apertou os lábios e balançou a cabeça, naquele gesto de desgosto.
Ainda não encontrei quem diga gostar dos argentinos. Talvez em Buenos Aires se encontre.
Almoçando no La gran comida criolla (Esse recomendo e quero voltar), especialidade em comida típica colombiana, pescado e marisco, rua 15 10-16, uma senhora pediu licença pra ficar na mesma mesa, pois faltava lugar. Disse que a comida colombiana é muito farta. A mesma idéia de dona Adriana, de que os peruanos são os que melhor falam o castelhano. Não sei se é um estereótipo, tipo de que o maranhense fala melhor o português. Que os espanhóis são muito grosseiros, falam muito palavrão. Que os chilenos são muito arrogantes.
Bom... Dos amigos chilenos não diria, mas... arrogante conheço uma.
Do restaurante Saint Just, bem recomendado na internete, bom mas não me encantou. Comida francesa, atendentes bilíngües (castelhano-inglês). Pra comida francesa esse foi excelente, porque comida francesa consiste em cortar umas rodelas de tomate, jogar um patê encima, enfeitar cuma folha de menta e outra coentro e uns grãos de ervilha mais uns fios de cenoura e beterraba e se cobra um preço astronômico. Comida francesa é pura firula.
Cadê o latim, grego, aramaico, francês? Até o alemão já ascendeu a língua mundial. Logo esse maldito inglês sairá de moda, pois, Iazul!, tudo passa!
Diz que Borges concebeu o éden como uma biblioteca infinita. Eu diria um sebo infinito.
Passar o dia num sebo gigantesco e uma garota bonita trazendo café (Claro, se fosse tereré seria melhor). Isso é o Paraíso!
Pedi café com aroma de mulher (Café com aroma de mulher é o nome da famosa telenovela colombiana).
Eu nunca chegava aos maiores sebos porque não parava de encontrar os menores no caminho. Como em São Paulo, eu nunca chegava ao Messias porque ia parando nos outros no caminho. No centro, perto do museu do Ouro, sebos em toda parte, um ao lado do outro, sem falar nos camelôs estendendo livro sobre pano na calçada. Impossível visitar todos em dez dias. Os maiores, Torre de Babel e Merlín, com três andares. No quarto do Torre de Babel é o depósito.
Cheguei ao Torre de Babel porque estava no Feira do livro, que é de sua sócia, que me remeteu diretamente até lá.
No Messias o pessoal atende com cortesia fria e distante. Me apresentei como cliente que compra sempre via internete-correio, por isso tenho cadastro e quero enviar os livros via correio. O dono nem me olhou na cara. Parecia atender a um pedinte. Na rampa ao subsolo um aviso de entrada só pra funcionário.
No Torre de Babel o dono parecia receber um velho amigo. Me mostrou, andar a andar, as estantes com os respectivos temas. Mal passava duas horas e vinha a garota com a baita taça de chope com café fumegante. E não tem área restrita. Pude garimpar livremente até no depósito.
Nos andares desse sebo há no fundo espelhos do tamanho duma porta, tão bem polidos, que dão a impressão que a sala continua. Era só me distrair e quase trombava nesses espelhos.
O mesmo clima nos outros sebos. Uma simpatia natural, muito diferente de sorriso de vendedor.
No sábado, quando em segunda vez no Torre de Babel, o dono mostrou a mim um livro de medicina de 1700 e lá-vai-pedrada, dizendo Este livro vale 3600 dólares! Mais tarde, via telefone, explicou, a uma cliente, que os livro técnico velho não tem mercado porque estão superados, exceto os muito antigos, pelo valor histórico.
Depois chegou sua sócia acompanhada duma adolescente. Disse:
— Aqui temos a universidade dos Andes, que é a mais prestigiosa, cara e concorrida do país e que concede bolsas a estudantes que se destacam. Consegui uma bolsa pruma dessas estudantes, que é esta garota.
A uma mesa e lousa portátil um professor ensinava trigonometria à garota.
Sem dúvida: O livreiro não é do tipo vendedor de parafuso.
No hotel, um chileno disse que no Chile o imposto sobre os livros é muito alto. Deve ser por isso que nas torres de Tajamar são caríssimos.
Felizmente temos erva-mate de qualidade. Por isso ainda vale a pena tomar tereré. Mas com a Coca-cola comprando tudo pra fazer seu triste mate gelado, o preço subiu e logo a erva fará mal à saúde. Cada um que plante sua árvore.
Nas transportadoras o valor pra trazer 25kg de livro é de cerca de 800 mil pesos, cerca de R$ 963. mais que o valor da compra.
A condição do excesso de bagagem Lan é muito confusa, tanto na internete quanto perguntando no aeroporto. Parecem fazer questão de deixar confuso. Uns diziam que um pacote não poderia passar de 50kg mas na hora de embarcar diziam que melhor seria um só pacote. Isso porque foi insistentemente pesquisado. No fim o excesso, cerca de 70kg, custou 395.050 pesos, cerca de R$ 475,50. Imagines o quanto seria via transportadora!
Estranho na nota não aparecer o peso.
Na esteira recebi muita ajuda pra lidar com as caixas. Em Guarulhos um funcionário, vendo as caixas enormes, ajeitou uma conexão imediata, evitando muitas horas de espera. E o taxista também tinha espírito bogotano.
Talvez essa diferença cultural não seja tão grande assim.
 Quanto às aeromoças, comissárias, etc. Não entendo por que dentro do avião são tudo sorriso e mesura mas no balcão, quanta diferença! Parece que tomaram sorvete de chiclete. Ô mulherada mal-amada!


sábado, 20 de setembro de 2014


A nova página do projeto Lovecraft e de O rei de amarelo não suportou tanto acesso

O sítio saiu do ar!
Amigos
Tivemos um problema com o servidor. Mais de 1000 pessoas acessando o sítio ao mesmo tempo! Não teve jeito: A casa (o sítio) caiu!
Então se tentares acessar www.editora-clocktower.com.br provavelmente serás redirecionado a uma página de limite de CPU excedido. Mas não vos preocupeis, pois temos solução. Nos próximos dias o sítio voltará ao ar.
Se não conseguiste te inscrever no hangout de lançamento do site, envies um imeio a editoraclocktower@gmail.com com o título inscrição, e te adicionaremos a lista dos participantes. Confirmados mais de 300 participantes. Então não deixai de vos inscrever!
Compartilhai essa nota o máximo. É importante que todos saibam o que está acontecendo.
Bons pesadelos! ;)
Eduardo Costa